quarta-feira, 6 de junho de 2007

travestis - a ambivalência

As travestis, além dessas intervenções e da apreensão de uma série de técnicas corporais que as distancia dos padrões masculinos, buscam agir, em muitos momentos, segundo prescrições de comportamentos instituídos como femininos, sem esquecerem em contextos específicos, que dentro delas “mora um rapaz”, expressão habitual no meio (Pelúcio2006:525).
Os sujeitos aparecem-nos providos de capacidade de agenciamento e negociação no processo em que se inserem, pelo que a análise destes processos identitários dinâmicos, porque constantemente negociados, deve ser processada em escalas, no fundo parâmetros diferenciados consoante as circunstâncias concretas em que se inserem (Silvano1997:153). Tal envolve uma concepção estrutural dinâmica de carácter, que contemple na construção das identidades, a tensionalidade entre principio do prazer e principio da realidade (Freud2002:13), primeiramente no sujeito, religado depois ao grupo onde se integra e às relações que este estabelece sob um ponto de vista interno e externo.
Esta análise estrutural dinâmica tem na base o conceito dinâmico de carácter Freudiano, considerada uma das suas grandes contribuições, bem como a tensão entre desejo e receio de um mundo que é essencialmente hostil às aspirações e expectativas do sujeito agenciador. Esta perspectiva analítica deve ser realizada, tendo em atenção o papel dos sistemas projectivos, subdivididos em primários e secundários, relacionando portanto a fase da infância ligada ao desejo (Freud2002:25) e à omnipotência narcísica, com a fase adulta já com a tomada de contacto com o principio da realidade através do crivo da experiência (idem:13). O primeiro período enquadrado por instituições primárias como a família e a escola, o segundo culminará com a integração religiosa, filosófica, política, etc.
Esta complexidade ambivalente dos sujeitos, determinada por um caráter interiormente contraditório, coloca conceitos como a coerência e sistematicidade no plano das ciências, ao nível dos dogmas na religião.

2 comentários:

Medpsy disse...

“Esta perspectiva analítica deve ser realizada, tendo em atenção o papel dos sistemas projectivos, subdivididos em primários e secundários, relacionando portanto a fase da infância ligada ao desejo (Freud2002:25) e à omnipotência narcísica, com a fase adulta já com a tomada de contacto com o principio da realidade através do crivo da experiência (idem:13).”

O termo narcisismo aparece pela primeira vez na obra de Freud em 1910 (Três Ensaios), para explicar a escolha de objecto nos homossexuais. O conceito Narcisismo tal como é conhecido na Psicologia foi introduzido pelo mesmo tendo este detectado a óbvia ligação à figura mitológica grega – Narzis –.Narciso-
Esta figura encontrava-se completamente absorvida pela sua pessoa, havendo quem ponderasse a hipótese de se encontrar enamorado por ele próprio.
Freud estabeleceu assim, a óbvia relação com este mito, que dizia respeito ao auto-enlevo, e consequentemente ao isolamento e à alienação inerentes a esse egocentrismo para com as pessoas em redor (Sharfetter, 2002).

A escolha do objecto de amor não será mais do que uma projecção desse egocentrismo?

bela lugosi`s dead disse...

Sim, acho que já fiz um post em que baseado no Prof.José Gabriel Pereira Bastos falei na possibilidade de o que as pessoas procuram no amor, é o amar-se a si próprio. Isto os tipicamente narcísicos.