quinta-feira, 7 de junho de 2007

Teste projectivo de Rorschach

Este é um espaço que se destina à partilha desinteressada de pensamentos e perspectivas sobre o homem (antropo), foi este o objectivo inicial quando eu e a Sapiens decidimos fazer este blog, que se mantém nas nossas vontades. Partilha de "conhecimentos" e experiências de forma despretenciosa (a troca de Lévi Strauss, a palavra, mulheres e mercadoria). Lembrei-me agora de uma coisa...será o "conhecimento" socialmente sancionado como tal, uma mercadoria? Mais tarde se verá, se alguém lhe apetecer falar nisso.

Não sou um fanático freudiano, não estou de acordo inclusivé com muitas das suas perspectivas, no entando considero que em certos aspectos pode constituir uma boa ferramenta de análise complementar ou de cruzamento com outras existentes.

Pranchas de Rorschach, um teste projectivo relativamente ao qual solicitarei posteriormenre à medpsy uma breve explanação. Espero que ela se encha de coragem e quebre a concha ehehhehe.

3 comentários:

Medpsy disse...

Depois de uma breve introdução ao modelo Psicanalítico, mais concretamente a Freud, seria de todo descabido não falarmos dos instrumentos utilizados para tentarmos aceder ao inconsciente, às camadas mais profundas da personalidade.
Os testes projectivos não são mais do que por em forma sistemática o processo de projecção.
E o que é o processo de projecção perguntarão alguns?
Quem já não se colocou na posição de interpretação dos comportamentos dos outros? Todos nós temos tendencia para interpretar o mundo que nos rodeia, o outro, e isso em função dos nossos interesses, hábitos e até mesmo do nosso humor. Ao dizermos que um individuo projecta os seus sentimentos significa assim, que este atribui ao outro sentimentos, que na realidade são os seus.
A salientar que as ambições dos testes projectivos são à priori, mais reduzidos do que a cura psicalitica. Não se apresentam, efectivamente, como um meio de fazer surgir exaustivamente a cripta do inconsciente do sujeito. Todavia, têm a pretensão de permitir desenhar as suas linhas gerais, de indicar a sua estrutura básica. Assim sendo, não são de todo um método terapêutico.( Houareau, M. 1977)
Alguns testes utilizados na prática psicanalítica
Rorschach
A prova consiste em interpretar formas fortuitas, manchas sem nenhum significado. É um teste projectivo que permite aceder ao inconsciente e assim ao funcionamento mental. Mediante a situação, o sujeito é induzido a uma dupla solicitação: perceptiva, enquanto estimulo real e imaginária, enquanto objecto potencial imaginado. O Rorschach permite aceder às preocupações essenciais do sujeito, aos modos de organização relacional e aos afectos e fantasmas subentendidos nas suas verbalizações/respostas (Rorschach, 1978).
Outro teste amplamente utilizado como forma de compreender a personalidade é o
O Mini-Mult. Este teste é um inventário de personalidade constituído por 71 afirmações, as quais o indivíduo deve classificar em duas categorias. Verdadeiro ou falso. Este inventário é apresentado comummente como uma forma abreviada do Inventário Multifásico de Personalidade de Minnesota – M.M.P.I. (Hathaway & McKinley, 1966), que é constituído por 566 afirmações.
Tal como o M.M.P.I., é um instrumento psicométrico que avalia, com precisão, os principais elementos da personalidade. É constituído por 8 escalas clínicas: Hipocondria, Depressão, Histeria, Desvio Psicopático, Paranóia, Psicastenia, Esquizofrenia, Hipomania e por 3 escalas de validade (escala L,F e K). A escala L é uma escala de validade, cujo resultado permite apreciar, em que medida, o sujeito falseou os resultados, escolhendo resposta que o favoreçam do ponto de vista social. Escala F, permite controlar a validade do teste, pois procura avaliar a coerência intra-psiquica. Se o resultado desta escala for mais elevado do que as escalas clínicas, estas não serão validadas. Por último, a escala K, que é essencialmente de correcção. Destina-se a tornar mais precisos os resultados nas escalas clínicas, possibilitando a identificação de factores mais eficazes, aumentando a sensibilidade do instrumento e proporcionando uma meio de correcção estatística das escalas clínicas.
Embora as escalas tenham um nome correspondente ao síndrome clínico, todas elas possuem um significado no domínio normal.

Mariamar disse...

curiosamente a minha filha ha dias andava com um trabalho sobre tecnicas projectivas( k n tem nada a ver com projecçoes- meios audio-visuais, já sei disso). Como sempre pediu-me para lho rever e dar sugestões. aprendo sempre muito com os trabalhos dela, por isso faço-o com prazer. hoje contou-me como tinha sentido na prática alguem projectar-se nela, dando voz aos seus medos.e como conduziu a sua expressao sem o outro se dar conta. ficou maravilhada e gratificada. Eu tb
com ela e agora aki. obrigada

Medpsy disse...

Mariamar, fico muito feliz em saber que contribui em parte para um bem-estar tão grande. :) Boa sorte:)