segunda-feira, 18 de junho de 2007

The Namesake:

Fui assistir Nome de Família (no original: The Namesake) e me encantei com mais esse filme dirigido por Mira Nair, a mesma de Um Casamento à Indiana. Algumas pessoas não costumam gostar do cinema indiano, uns alegam sobre a qualidade dos filmes da Bollywood, outros a duração e outros mais enfurecidos que não entendem nada. Não concordo com nenhum deles, a qualidade tanto da fotografia, como roteiro e direção são excelentes. Mas o motivo para o qual me coloco ao escrever sobre a película é sua genial temática que é a tradição.

Como estudante de ciências sociais e uma pessoa minimamente informada sobre alguns dos costumes da Índia, sinto-me um pouco à-vontade para falar do que me saltou à vista: o choque cultural que o jovem Gogol sofre entre os dois extremos: o tradicionalismo religioso oriental contra o ocidental crente na ciência e no seu liberalismo. Numa visualização mais simples: O tradicionalismo indiano versus o liberalismo americano. Gogol nasce nos Estados Unidos, é um cidadão americano de nascimento mais indiano de tradição, com um olhar mais apurado ele está numa situação em que nem é uma coisa nem é outra. Esse é o problema que acredito ser a chave do filme.

Ele sofre dois processos de aculturação, a tradição indiana em casa e a liberal americana na escola e na socialização com outros meninos americanos. É possível crescer numa tradição cultural tão complexa em mitos e ritos num ambiente completamente diverso? Enquanto para nós (ocidentais) é difícil de imaginar um casamento arranjado pelos nossos pais sem que ao menos conheçamos a noiva ou o noivo, para os indianos é estranho também o nosso jeito de arrumar um parceiro.

Propaga-se a idéia da liberdade como um bem para ao Homem. Enquanto que na verdade ele é preso pela sua cultura e se move dentro de seus limites. Quando há uma ruptura cultural a sociedade há uma coerção ao infrator. Tomemos como exemplo o fato de não poder andar nu ou de trajes menores pela rua, isso seria atentando ao pudor podendo haver multa ou cadeia, em quando em sociedades indígenas a falta de roupa é algo natural. Sendo assim a liberdade é relativa. Não podemos dizer que um casamento arranjando, a escolha do nome da criança pelo avô e não pelos pais, signifique uma falta de liberdade.

Não quero me alongar demasiadamente sobre a analise filme citando cenas da qual ilustram magistralmente bem as palavras acima. Pouco falei na história do filme, pois podem facilmente encontrar em qualquer site especializado em cinema. Acredito que daqui uns 4 meses ou menos já se encontre nas locadoras.

Site oficial do filme (português - Brasil): nomedefamiliafilme.com.br

Blog do autor - buda verda

3 comentários:

bela lugosi`s dead disse...

CURIOSO COMO ATRAVÉS DE UM FILME SE PODEM FAZER TANTAS LEITURAS, PARA ALÉM DA ESTRITAMENTE CINEMATOGRÁFICA, CURTI IMENSO!

sapiens disse...

Por acaso já havia visto este filme apresentado num jornal e tinha na altura achado interessante... entretanto acabei por me esquecer do nome. Desta não perco :)

Dalila disse...

Curioso mesmo.