quinta-feira, 7 de junho de 2007

Notas...experiências

Adriana, nome fictício que em acordo resolvemos adoptar, é o que se pode designar por uma viajante, uma estrangeira e o ser estrangeiro implica interacção espacial, o que por sua vez implica outra noção de distância e proximidade:


…é mais a pessoa chegada hoje e que ficará amanhã…a distância no interior da relação significa que o próximo é longínquo, mas o próprio facto da alteridade significa que o longínquo está próximo (Simmel in Fortuna 2001:54).

Tanto a transsexualidade como a imigração, são fenómenos essencialmente urbanos, daí achar adequada a perspectiva de Simmel, sendo que o espaço do viajante é essencialmente um não lugar (Augé1994:92), talvez neste caso, com a excepção da casa de Adriana no ..., ponto que será desenvolvido mais à frente.

Parece-me plausível equiparar, em certos casos, a cidade a um campo de refugiados no sentido em que pode produzir desenraizados (Agier2002). No fundo o que Augé sustenta, é que a sobremodernidade produz os não lugares propícios a uma vida solitária, emergentes da individualidade já visível em Simmel, Park, etc.

Adriana, nascida em Belém do Pará em 1968, parte para S.Paulo com 20/21 anos, dando início a uma vida de extrema mobilidade e de frequência de não lugares, por oposição ao lugar antropológico com referências históricas, identitárias e relacionais (Augé1994:59), que no futuro iriam resultar num carácter transnacional da sua pessoa. Em S. Paulo fixa arrais na boca do lixo, como ela própria indica, uma das piores zonas da cidade, o bairro de St.ª Efigénia (entrevista:1-4) e a uma ambiguidade de género, acumula uma permanente mobilidade geográfica e de sentimentos de pertença. Park diria que a mobilidade e o indivíduo a ela associado, asseguram-lhe uma experiência particular que lhe é própria (Silvano2001:2) e a cidade revela-se o espaço privilegiado para estes processos identitários:


Os problemas mais complexos da vida moderna decorrem da vontade do indivíduo preservar a sua independência e individualidade perante os poderes supremos da sociedade (…) resistência do indivíduo à uniformização e à submissão perante as engrenagens sócio- tecnológicas (Simmel in Fortuna 2001:31).

2 comentários:

Jorge Ramos disse...

men, como coloco um trabalho aqui? podes dar uma dica?

bela lugosi`s dead disse...

yo ma men, vai ao teu gmail que expliquei lá:) abraço