segunda-feira, 25 de junho de 2007

Antropologos em segundo plano


















Hoje de manhã assisti ao programa Opinião Publica na sic notícias. O tema em debate eram os ciganos e a escolarização, na sequencia de o dia nacional do Cigano.

O programa em questão tem linhas de participação para a intervenção dos telespectadores e contou com várias participações. Pressuponho que grande parte da audiencia pudesse "lucrar" em compreender melhor as realidades de integração e exclusão dos ciganos em portugal. no entanto, o programa embora bem intencionado acabou por se revelar pouco relevante para o acrescentar de algo á temática.

Em estudio, dois intervenientes, um representante da comunidade Cigana e um outro senhora (do qual não me apercebi do estatuto ou da especialidade).
Notei no entanto a evidente falta de um antropologo. Mais uma vez a antropologia não é chamada para os temas mais polémicos referentes á identidade, ás etnias e diferentes comunidades entre as quais têm establecido pontes ao longo da história.

5 comentários:

Espirito da Lua disse...

Eu tb vi

Mas acho que os ciganos não contribuem em nada para o pais por isso não temos de lhes dar nada

Bj Lua

Joana Dalila Santos disse...

Eu adorei foi a pergunta! Qualquer coisa como "Acha que a comunidade cigana é excluída da sociedade?"

Há quem ache que não?

bela lugosi`s dead disse...

Infelizmente é habitual:(

isabel victor disse...

Concordo contigo. A visão da antropologia seria muito concerteza muito importante para o centramento da problemática e sua contextualização.

Existiu um programa de trabalho e estudo sobre a escola "normalizante" e as crianças ciganas, com resultados muito interessantes - projecto "Nómada". Também é de realçar o trabalho desenvolvido pela Olga Mariano - poeta cigana, mulher inconformada com a condição das crianças e mulheres ciganas face à escola e aos direitos elementares de acesso ao conhecimento, presidente da " Associação das Mulheres e crianças ciganas ". Muito interessante !O caderno nº19 do ICE é todo dedicado a estas temáticas. Dá que pensar ... porque é que em Portugal, em pleno sec XXI, não existe uma única mulher cigana na Universidade ! Porquê ?!

Abraço-te
Agradeço-te as tuas estimulantes visitas !

sapiens disse...

sim , de facto Isabel Victor. E, se pensarmos históricamente nenhuma sociedade se desenvolveu plenamente quer ao nivel social quer ao nivel intelectual e tecnico sem a colaboração das mulheres quer no mercado do trabalho, quer no campo académico-cientifico. O caso dos ciganos parece ser deveras paradigmatico e modelo para estudar-mos uma exclusão por parte da sociedade circundante mas também e sobretudo uma auto-exclusão. A comunidade cigana tece, segundo tenho conhecimento, argumentos identitários que desvalorizam a mulher portuguesa em particular, e a mulher ocidental contemporânea em geral. Desta forma, estilos de vida pró desenvolvimento e pró-conhecimento são automáticamente vedados ás mulheres ciganas que por parte da comunidade , quer por parte delas mesmas , que, crescendo rodeadas de valorizações identitárias positivas ligadas ao casamento e á maternidade e á honra da família esquecem o desenvolvimento do seu ser individual, que, para todos os efeitos está sistemáticamente conotado com valorizações negativas das quais será melhor (no seu entendimento) não participar.

sem duvida que a cigana de quem falas, Olga Mariano, é , um caso áparte, alguém que por auto-determinação conseguio quebrar o suficiente com a normatividade comunitária para conquistar o seu espaço sem colocar em causa quer a honra quer a identidade e o reconhecimento por parte dos membros da comunidade da sua identidade cigana. quebrando algumas limitações sobrevalorizou-se enquanto individuo perante os outros e é hoje uma pessoa de valor reconhecido. Isso só por si prova que embora detentora de regras rigidas a comunidade cigana , tal como qualquer outra no mundo nao são estáticas e estão sujeitas a mudanças e ás influencias do mundo em seu redor. quem ousa desafiar as regras terá claro á sua espera dois desfechos possiveis, o sucesso ou o falhaço e a exclusão.. de qualquer forma, penso que nos dias que correm vale sempre a pena tentar para andar para a frente.