domingo, 10 de junho de 2007

"sobriedade vs embriaguêz" - os aventureiros

A quem se aventurar a interpretar o texto “ Sobriedade vs embriaguêz” como um incentivo ao consumo excessivo, aqui vai um pequeno alerta para as consequências directas desse acto ( que todos nós adoramos de vez em quando ....)
Segundo Parise .P, Edison e Kondo, M., a cirrose representa o produto final de uma agressão crónica do fígado, caracterizada, do ponto de vista histológico, pela presença de fibrose e formação nodular difusas, com desorganização e arquitectura do órgão.
As cirroses podem ser classificadas de acordo com a sua etiologia:
Metabólicas, Virais, Alcoólica, induzidas por fármacos, e ainda muitas outras...
Alguns dos sintomas da Cirrose são: Fraqueza, tosse, vómito, hemorragias produzidas pela ruptura de veias varicosas situadas na parte inferior do esófago (varizes esofágicas) , expulsão de grandes quantidades de sangue , anorexia , perda de peso, desnutrição (deve-se à absorção insuficiente de gorduras e de vitaminas lipossolúveis, resultante da fraca produção de sais biliares), icterícia (resultado da obstrução crónica do fluxo da bílis) , formação de pequenos nódulos amarelados na pele, hipertensão portal, função hepática reduzida, ascite, insuficiência renal, encefalopatia hepática.

Prognóstico e tratamento- É habitual que a cirrose seja progressiva, no entanto se esta se encontrar na fase inicial e o indivíduo deixar de beber, o processo de cicatrização é em princípio interrompido. Contudo o tecido hepático já cicatrizado fica assim indefinidamente!! O aparecimento de cancro hepático em indivíduos com cirrose causada pelo abuso de álcool é uma realidade a não ignorar, realidade essa que poderá ou não levar à necessidade de um transplante do orgão afectado( neste caso o fígado). De acordo com Miszputen Jankiel, Sender (2002) independentemente do agente etiológico, a terapêutica das principais complicações do quadro base (desnutrição, encefalopatia, hipertensão portal e ascite) será a mesma.
Consequencias psicológicas a quem se submete a um transplante do fígado:
O individuo transplantado: entre o eu e o não – eu.
A aceitação versus a culpabilidade do transplante de órgãos
A confrontação com a existência de uma doença terminal a que se associa a necessidade de realização de um transplante como única forma de sobrevivência, e a forma como tal facto é transmitido pela equipa médica, é sentido pelos pacientes como o primeiro momento de grande dificuldade em todo o processo que envolve esta terapêutica. Relatam este momento como o mais avassalador de toda a sua história de transplantação. Após a sua aceitação, a entrada numa lista de espera para transplante, é tida como o outro momento muito difícil de todo o processo. Uma vez na lista de espera, os pacientes podem ser chamados para a cirurgia a qualquer hora do dia ou da noite, visto este facto estar dependente da disponibilidade dos órgãos. A espera é acompanhada de reflexões profundas sobre a decisão tomada, sobre a correcção ou incorrecção de se ter submetido à realização de um transplante, sobre a chegada do órgão doado que se receia mesmo que não venha a tempo. Estes altos e baixos são relatados como profundamente perturbadores.
Imediatamente antes do transplante, os momentos de ansiedade alternam com os momentos de esperança. A proximidade da morte ou a dependência em relação a uma máquina, opõem-se à possibilidade de afastar o mal. Tem a ver com o milagre que é encarar a substituição daquilo que está destruído, apagar e recomeçar a partir do zero. Esta mistura de abatimento e de esperança, tendo como única bóia de salvação o transplante faz com que tudo seja admitido. «Dê-me um coração novo», disse Washkansky, o primeiro individuo a sofrer um transplante de coração, a Barnard. Espera-se o acto mágico, o acto salvador, a qualquer preço.”
Degos, Laurent in “Os enxertos de órgãos”

E vai um copito ? ;)

2 comentários:

bela lugosi`s dead disse...

ora bem, o texto está muito esclarecedor mesmo, gostava no entanto de referir que o álcool, para além dos efeitos negativos que pode importar para o organismo, encerra igualmente uma forte componente cultural, não só ao nível da sua produção, mas principalmente através da análise dos indicadores da relação mantida entre população e o produto, sendo nestes casos interessante por exemplo, o tipo de bebida ingerida. Portugal, por exemplo possui uma forte tradição vinícula, observem-se por exemplo alguns dos artigos presentes no vôo do arado.

É bem Medpsy:)

Medpsy disse...

É aí que entra a Antropologia :), pois sem esse background somos impelidos a pensar( embora se saiba que o álcool, tem alguns benefícios a nível de saúde, o tal copo de vinho à refeição)que o álcool é terrível e no seu todo não é! Cabe a cada um e à sua capacidade de discernimento...quis apenas deixar claro que, para quem insiste em interpretar o texto original de forma obtusa, o exagero tem consequencias.

A Antropologia, a meu ver tem tanto para nos dar, para nos esclarecer...
Recordo-me que nos tempos da faculdade ninguém percebia qual a utilidade da Antropologia...
Hoje não acredito que alguém pense assim, pois a Antropologia está em tudo, na saúde, na cultura, na biologia...na psicologia, nas relações humanas...enfim :) há tanto para dizer