terça-feira, 24 de Novembro de 2009

Reflectindo no mundo interligado, mas que mantém o confronto a várias escalas entre o nós e o eles, ou até, com a nossa própria alteridade.

Adriana Piscitelli é uma antropóloga brasileira que trabalha em questões de género e sexualidade, com uma imensa panóplia de temáticas associadas às duas primeiras.

A migração com vistas à inserção na indústria do sexo, envolve muitas vezes redes semelhantes às usadas por migrantes brasileiros que trabalham em outros sectores (…) nesses casos, o adiantamento de dinheiro a ser devolvido com juros análogos aos pagos num clube, a oferta de uma vaga em um apartamento (pelo qual se paga um valor superior ao que ela de fato teria) e/ou o apoio para se estabelecer em “pontos”, na rua, tudo isso é lido como “ajuda”(Piscitelli 2007:21.

(…) outras, contudo, estavam inseridas em redes femininas de vizinhas, amigas, conhecidas e parentes que já moravam na Espanha, o que também é recorrente para migrantes de outras nacionalidades, assim como para pessoas transexuais (Piscitelli 2007:21).
Piscitelli, A. “Corporalidades em Confronto; Brasileiras na indústria do sexo em Espanha” in Revista Brasileira de Ciências sociais, Vol. 2, nº64, Junho 2007.

quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

As Migrações num Mundo Interligado

As Migrações num Mundo Interligado, relatório acerca do tema implícito e explícito, interessante e a partir do qual me lembrei de mencionar factos do quotidiano de um mundo globalizado emergentes da minha pesquisa:
A própria Larissa confidenciou que as agências de viagens no Brasil a aconselharam - tal como fazem a outros migrantes - sobre os melhores percursos para fugir ao controlo fronteiriço europeu e lhes fornecem contactos. Após ter vivido durante três anos em Itália, deambulando de cidade em cidade, decidiu “mudar-se” recentemente para Portugal. A “entrada de Berlusconi no poder em Itália, dificultou muito mais a vida a quem trabalha na rua”, buscando desta forma a legalização, e utilizando a possibilidade que lhe é conferida em virtude do laço familiar com o pai português, actualmente a residir em Braga.

domingo, 27 de Setembro de 2009

Género e sexo/referenciais de identificação

Na sequência da investigação que venho realizando desde há algum tempo, em que um dos tópicos se refere à questão do género, sua diferenciação, identificação e vivência vivida nas experiências quotidianas, um dos principais ganhos na caminhada sempre inacabada e sempre insuficiente do conhecimento, que não raras vezes culmina num lugar tornado comum do "só sei que nada sei" ao ponto de esse chavão se tornar um símbolo do conhecimento, que ele próprio pretendia sentenciar como arrogante, simplesmente pelo facto de se estender ao infinito (porque sempre inacabado), segundo Hegel tornado finito perante o absoluto, esse sim o infinito só imaginável, consistiu na possibilidade que a investigação me concede de colocar as questões em perspectiva, de que emerge o carácter relativo do social. Assim, e na sequência da estratégia adoptada de postar tópicos avulsos que concedam aos leitores a possibilidade de serem eles próprios a preêncher os espaços "em branco", faço hoje uma referência a Kessler e McKenna, dois autores e pesquisadores que demonstram que a interpretação dos corpos através de figuras mostradas a indivíduos, pende claramente para uma análise maioritariamente masculinzada da questão; se um pénis está presente na figura, em 96% das vezes identifica-se o género masculino, pelo contrário, em 95% dos casos em que uma vagina está presente, são necessários mais dois elementos ligados ao feminino, peitos ou cabelo longo por exemplo (Kessler and McKenna 1978:145). Esta abordagem mostra que a questão de género e sua ambiguidade é maioritariamente resolvida tendo em atenção referentes masculinos, then genetic males who live as woman will be among those most at risk for assault. Simply put, within western societies, it is easier for females to pass as man than for males to pass as woman (idem: 145).
Kessler S. e McKenna W. 1978 Gender: An Ethnomethodological Approach,The University of Chicago Press: Chicago.

quinta-feira, 3 de Setembro de 2009

Crónicas de uma marginalização legalizada

Pois bem, hoje não falarei de transnacionalidades, globalização, género, sexo, racismo...ou provavelmente até sim. Nestes 7 anos de paixão por uma raça socialmente amaldiçoada, muitas coisas me aconteceram, desde comentários a reáções de pânico, alguns dos quais relatarei mais à frente. A questão do açaime...complicado, sempre o utilizei no bonga, rottweiler que me tem acompanhado como um amigo dedicado desde há 7 anos, mas... se o usamos, a pergunta que nos assalta constantemente, para além do olhar aparvalhado e a crítica feroz, é...morde? Se não tivesse açaime atacava já, não é?...ufa a ginástica que faço para não ser eu a morder-lhes impiedosamente. Há uns dias atrás...saí do prédio, acompanhado pelo bonga, uns putos e umas gajas falavam alto e mandavam todo o tipo de lixo para o chão, mas eu tinha que passar né? Afinal não vivo do rendimento mínimo e até comprei a casa onde habito.Pois bem, a reáção foi a de 6 ou 7 pessoas começarem a gritar o mais alto que podiam...fiquei...bem...não vou dizer como fiquei, é mais prudente, no entanto sei o que o Bonga fez: imperturbável, lento no andar e altivo perante aqueles gritos histéricos, face a um cão preso e com açaime, olhou para uma das miúdas (provavelmente pensando se aquilo também pertencia à raça humana que se habituou a conhecer) e colocou-lhe as patas nos ombros, sinceramente não o evitei, mereciam, pois afectam de forma absurda a privacidade dos outros, a minha e a dele, obrigados a pagar seguro, a tirar registo criminal, licenças na junta, a ter um atestado médico comprovando condições mentais para os ter e depois qualquer merda se sente no direito de criticar, gritar, discriminar, ajuizar, censurar, etc..., mas continuando, ao colocar-lhe as patas nos ombros nada mais faz do que isso, da mesma forma que o faria a mim para me receber quando entro em casa, e de imediato se coloca de novo no chão olhando de forma imperturbável para mim, como se me estivesse a dizer que aquela merecia e de uma forma em que quase vislumbrei um sorriso de gozo. No regresso, estavam lá as mesma pessoas e mais um miúdo pequeno, ainda pouco sensível às lavagens cerebrais, que se aproxima do Bonga e o abraça, ele abana a cauda e eu não resisti a olhar para aquelas miúdas que tanto gritavam, mas que no entanto não deixam de ir para a porta de um prédio onde de antemão sabem que existem dois rottweilers, e de lhes dizer - veêm?Afinal também existem pessoas normais. Isto é na realidade um teste ao meu auto-controlo. Por exemplo noutra ocasião, estando eu a passeá-lo vejo um casal de ciganos e como já estou habituado a comentários ou perguntas estúpidas, já esperava qualquer coisa - Ó chefe não me quer dar o cão? - detesto que me chamem chefe, geralmente respondo de forma seca que não sou chefe de ninguém, mas desta vez fingi não ouvir, no entanto a questão repete-se - Ó chefe não me quer dar o cão? - irra! olhei para ele e disse-lhe - Porque lhe hei-de dar o cão, se ele é meu e gosto dele? - não perceberam e a mulher ajuiza: -estes são os cães mais perigosos do mundo - que raiva, esta gente sente-se no direito de gritar, comentar, perguntar e qual o nosso direito, apenas o de contribuir para o rendimento mínimo e para a riqueza da banca e companhias de seguros através das licenças, seguros, etc...?Ok...também há gente normal...mas são poucos. Pensem um pouco para além do que vos é dito, informem-se, pesquisem e pensem como uma legislação mal enquadrada prejudica quem ama os seus animais, independentemente da raça e é indiferente para quem os maltrata na sua dignidade e bem estar mental e fisíco, porque esses não os vão passear, não se dão ao trabalho de lhes colocar açaime porque nem há ocasião para isso, não lhes colocam chip que os identifica como propritário do animal, não os levam aos veterinários, não tiram licenças, não pagam seguros...népia...não fazem nada! E nós que pagamos, que os cuidamos, que os conhecemos e amamos que direitos temos? Um dever cumprido pressupõe um direito, um direito pressupõe deveres...no nosso caso, aos deveres apenas corresponde o dever de andar calado e a levar bocas de qualquer indivíduo que desconheça as regras básicas da civilidade e educação.

sexta-feira, 14 de Agosto de 2009

Antropologia

« Jamais me esquecerei da resposta que um dia me deu meu pai quando estudávamos uma lista de cadeiras oferecidas pela Faculdade de Letras da Universidade do Witwatersrand, em Joanesburgo, com vista a escolher as quatro que eu faria durante o 1º ano do meu B.A. "Que é antropologia social ?", perguntei. Respondeu-me : "Antropologia… ciência do homem… só pode ser interessante, meu filho. Faz ess" ».
João de Pina Cabral (1998)

quinta-feira, 13 de Agosto de 2009

O individuo

Aquilo que pode ser normal, razoável, salutar, para a grande maioria, não nos fornece um critério de comportamento no caso do indivíduo excepcional. O homem de génio, quer pela sua obra, quer pelo seu exemplo pessoal, parece estar sempre a proclamar a verdade segundo a qual cada um é a sua própria lei, e o caminho para a realização passa pelo reconhecimento e pela compreensão do facto de que todos somos únicos.

Henry Miller, in "O Mundo do Sexo"

sábado, 4 de Julho de 2009

Na pele do Outro




Com o "patrocinio" do blogue amigo Sexualidadefeminina.blogspot.com

segunda-feira, 8 de Junho de 2009

(Travestis) Entre a estrutura que as apaga e lhes providencia recursos estratégicos (esboço de trecho de artigo para publicação).

(...) O salto para a Europa dá-se pelos mesmos motivos: o querer ganhar dinheiro (corroborado por Peixoto 2007, Xavier 2005) dependente de uma constante necessidade de renovação da oferta (perante a procura ávida de novidade por parte dos clientes), suportado por redes (essencialmente através do Messenger e Orkut) mediante as quais se trocam informações, se propõem empréstimos por parte das travestis estabelecidas na Europa e se sugerem países e cidades consoante a disponibilidade de habitações para troca.[1] Tais estratégias podem configurar-se como redes de auxilio à emigração ilegal, muitas vezes com a colaboração de agencias de viagens no Brasil, os imigrantes brasileiros viajam directamente do Brasil para Lisboa, de avião, ou via Paris, Madrid ou Amsterdão e depois de comboio ou autocarro para Portugal. Este percurso é aconselhado pelas agências de viagens, pelo facto de não existir um controlo de fronteira tão rigoroso (Peixoto 2007:188-189), conforme nos foi confirmado em entrevista por Larissa, embora num percurso alternativo, Budapeste-Viena-Milão. Este tipo de auxílio na rede travesti processa-se de forma similar à de outros migrantes de nacionalidade brasileira; para a angariação de mão de obra brasileira é suficiente exista um contacto em Portugal que vai chamando conterrâneos (idem:183), são redes pouco estruturadas e de organização horizontal, bem diferentes no modus operandi das redes de leste a actuar em Portugal, pelo que, segundo fontes policiais não existe prostituição forçada de brasileiras em Portugal, um menor grau de organização também pode ser acompanhado por um menor grau de coacção (ibidem:230).
Em particular, o salto para a Europa através de Portugal decorre, em grande medida, da abertura institucional ao nível de Estados, propiciada pelo Tratado de Amizade, Cooperação e Consulta entre a República Portuguesa e a República Federativa do Brasil. Como resultado da legislação subsequente, qualquer cidadão brasileiro pode entrar em Portugal com estatuto turístico válido por três meses, renováveis por mais três, caso comprove meios de subsistência suficientes para o período de estadia previsto (nos termos da portaria 1563/2007 que regula a lei 23/2007) relativa aos meios de subsistência como requisito para a entrada, permanência ou trânsito em território nacional.

Mais concretamente, tais cidadãos têm que possuir 75€ per capita para entrar em território nacional e uma quantia de 40€ para cada dia de permanência provável em Portugal. Porém, e no caso de tal não se verificar, prevê-se ainda a possibilidade de um cidadão português se responsabilizar no Serviço de Estrangeiros e Fronteiras pela sua pessoa, bastando para tal comprovar a existência de rendimentos e residência nos termos do nº1 e nº2 do art.12 da Lei 23/2007. Ora, e ainda que de forma menos técnica e precisa, é justamente o conhecimento de tal possibilidade legal, constantemente difundida nas redes de imigrantes brasileiros e, nomeadamente, de travestis, que leva a privilegiar Portugal como um destino, para ganhar muito dinheiro a curto prazo. Este especial relacionamento entre os dois estados é ainda reforçado por um Estatuto de Igualdade de direitos e deveres, bem como de direitos políticos que pode ser requerido após residência legal em Portugal, regulado pelo Decreto-Lei n.º 154/2003, 15 de Julho.

quinta-feira, 21 de Maio de 2009

Pensar o presente para moldar o futuro.

Porque uma sociedade melhor não pode surgir do acaso, mas sim da reflexão sobre a história e a actual conjuntura socio-economica, segue abaixo um excerto do texto Profit Over People: Neoliberalism and Global Order de Noam Chomsky (1999).



“O neoliberalismo é o paradigma económico e político que define o nosso tempo. Ele consiste em um conjunto de políticas e processos que permitem a um número relativamente pequeno de interesses particulares controlar a maior parte possível da vida social com o objectivo de maximizar seus benefícios individuais. Como diz Milton Friedman, guru do neoliberalismo, em seu livro Capitalismo e Liberdade, dado que a busca do lucro é a essência da democracia, todo governo que seguir uma política anti-mercado estará sendo anti-democrático, independentemente de quanto apoio popular seja capaz de granjear.


No melhor de sua eloquência, os defensores do neoliberalismo falam como se estivessem prestando aos pobres, ao meio ambiente e a tudo o mais um fantástico serviço quando aprovam políticas em benefício da minoria privilegiada. As consequências económicas dessas políticas têm sido as mesmas em todos os lugares e são exactamente as que se poderia esperar: um enorme crescimento da desigualdade económica e social, um aumento marcante da pobreza absoluta, um meio ambiente global catastrófico, uma economia global instável e uma bonança sem precedente para os ricos.

Os governos subsidiam prodigamente as grandes empresas e trabalham para promover os interesses empresariais em numerosas frentes.

A democracia é admissível desde que o controle dos negócios esteja fora do alcance das decisões populares e das mudanças, isto é, desde que não seja democracia. Essas mesmas empresas querem e esperam que os governos canalizem para elas o dinheiro dos impostos, que as proteja dos concorrentes, mas querem também que não lhes apliquem impostos e que nada façam em benefício de interesses não empresariais, especialmente dos pobres e da classe trabalhadora.

Em vez de cidadãos, produzem consumidores. Em vez de comunidades, produzem shopping centers. O que sobra é uma sociedade atomizada, de pessoas sem compromisso, desmoralizadas e socialmente impotentes. Em suma, o inimigo primeiro e imediato da verdadeira democracia.
Tratados comerciais e acordos de negócios que ajudam as grandes empresas e os ricos a dominarem as economias das nações sem quaisquer obrigações para com as respectivas populações. Esse processo nunca foi tão claro quanto na criação da Organização Mundial do Comércio (OMC) no princípio dos anos 1990 e, mais recentemente, nas negociações secretas para a implantação do Acordo Multilateral sobre o Investimento (AMI). Na verdade, a incapacidade de propiciar uma discussão sincera e honesta é realmente uma das mais notáveis características da globalização.

Para que a democracia seja efectiva é necessário que as pessoas se sintam ligadas aos seus concidadãos e que essa ligação se manifeste por meio de um conjunto de organizações e instituições extra mercado. Uma cultura política vibrante precisa de grupos comunitários, bibliotecas, escolas públicas, associações de moradores, cooperativas, locais para reuniões públicas, associações voluntárias e sindicatos que propiciem formas de comunicação, encontro e interacção entre os concidadãos.

Se agirmos com a ideia de que não haverá possibilidade de mudança para melhor, estaremos garantindo que não haverá mudança para melhor. A escolha é nossa, a escolha é sua.”

quarta-feira, 13 de Maio de 2009

Reflexões

(…) gender is thought of as a process of structuring subjectivities rather than as a structure of fixed relations (Morris 1995:568).

Cultural orders constructs gender and create subjects (idem:573).

It is possible to claim sex membership in a sex category even when the sex criteria are lacking. Gender, in contrast, is the activity of managing situated conduct in light of normative conceptions of attitudes and activities appropriate for one`s sex category (Zimmerman & West 1987:127).

“female” and “male” are cultural events – products of what they term the “gender attributes process” – rather than some collection of traits, behaviours, or even physical attributes (idem:132).

sábado, 18 de Abril de 2009

"Nós, donos responsáveis de rottweilers temos uma mensagem:"

quarta-feira, 15 de Abril de 2009

Violencia nas escolas.. um evento do passado?



Nos tempos que correm é tudo menos notícia o crescente exponenciar da indisciplina e violência nas escolas portuguesas. Mas, o fenómeno está longe de ser único, encontrando-se sim generalizado em praticamente todos os países democráticos que têm vindo a preconizar um aumento dos poderes e liberdades dos alunos face a um proporcional decréscimo dos poderes e autoridade dos professores e da escola em sí.

Embora o fenómeno seja comum a vários países, são as medidas adoptadas para eliminar o problema que marcam a diferença.

No Reino Unido os pais dos alunos que pratiquem vandalismo, agressões físicas e verbais ou outros actos de violência e indisciplina no espaço escolar serão multados em valores que rondam as 50 libras (aproximadamente 56 euros) em multas que quando acumuladas podem atingir os 1450 euros.

“As intimidações verbais e físicas não podem continuar a ser toleradas nas nossas escolas, sejam quais forem as motivações”, sublinhou a Secretária de Estado para as Escolas (britânicas).

“As crianças têm de distinguir o bem e o mal e saber que haverá consequências se ultrapassarem a fronteira”. Adiantou ainda que “vão reforçar a autoridade dos professores, dando-lhes confiança e apoio para que tomem atitudes firmes face a todas as formas de má conduta por parte dos alunos”.

Segundo garante a secretária de estado o objectivo da medida é transmitir aos pais que a escola não irá assumir as responsabilidades dos pais, em caso de comportamento violento dos seus filhos. Estas medidas serão sustentadas em ordens judiciais para que assumam os seus deveres de pais e em cursos de educação para pais, com multas que podem chegar às mil libras, se não cumprirem as decisões dos tribunais”.

“O Livro Branco dá ainda aos professores um direito claro de submeter os alunos à disciplina e de usar a força de modo razoável para a obter, se necessário”.



A mim parece-me pertinente... será um acto reaccionário? ou a percepção de que a Liberdade de que dispomos constitui na verdade uma responsabilidade a ser partilhado por todos??

O estado critico de Portugal


Henrique Medina Carreira entrevistado por Mário crespo.
Uma entrevista polémica a não perder para melhor se reflectir o estado da nação.






quinta-feira, 9 de Abril de 2009

Egoismo social doentio

Primeiro, levaram os comunistas e eu nada disse, porque não era comunista
Depois, levaram os sindicalistas e eu nada disse, porque não era sindicalista
Depois, levaram os judeus e eu nada disse, porque não era judeu
Depois, levaram-me a mim e já não havia ninguém que me pudesse defender.

Martin Niemöller

Para sermos solidários e críticos, não tem que se passar connosco!

segunda-feira, 23 de Março de 2009

AS FAMILIAS QUE SOMOS


Finalmente online o folheto (manifesto, testemunho, conjunto de histórias de vida) informativo elaborado pela associação ILGA Portugal.
Este folheto foi o mote para o meu trabalho de estágio de licenciatura, e , como tal conta com a minha colaboração na recolha dos testemunhos =).
Mais uma vez fica um agradecimento a todos os que aceitaram participar expondo um pouco das suas vidas por uma causa MAIOR.
Leiam, divulguem e espero que gostem e fiquem a conhecer melhor através dos relatos na primeira pessoa, as vidas vividas dentro destes ainda gigantes TABUS no seio da sociedade portuguesa que são a Homo, a Bi e a Transsexualidade.

quarta-feira, 18 de Março de 2009

História infantil





A verdade e a mentira

Dizem que há muito muito tempo atrás, Deus tinha acabado de criar o mundo e tinha criado os grandes montes, os grandes oceanos , os grandes desertos, e tinha também feito os animais, tinha feito o homem, tinha feito a mulher, e como dá muito trabalho fazer o homem e a mulher porque eles nunca estão satisfeitos com nada, deus subiu até ao alto do monte e sentou-se.

Sentou-se e deu um grande suspiro, e daquele suspiro saíram dois seres, do interior do criador, saíram dois seres mais, ninguém consegue adivinhar quais.

Eram eles a mentira e a verdade.

A mentira e a verdade eram duas mulheres.

A mentira era assim uma mulher um bocadinho de meter medo ao susto, mas a verdade, oh, a verdade era a mulher perfeita. Tinha um olhar translúcido, deixava transparecer toda a sua pureza, toda a sua sinceridade. A mentira não.
A mentira tudo o que ela era por fora era assim por dentro, muito retorcida, mal saio de dentro do criador começou a dizer mal de tudo. Elas eram tão diferentes tão opostas que quando resolveram conhecer o mundo seguiram caminhos opostos, e elas tinham que ter comida, tinham que ter dormida, então iam pedindo auxilio, às aldeias e ás cidades vizinhas. A mentira como era muito impostora e muito falsa aproximava-se de uma aldeia e punha um sorriso impostor na cara.

-- Ora muito bom dia, ah ah ah , olhe que aqui cheira muito bem, você deve ter cá um jeito para cozinha… E era assim que ela conhecia um caldinho.. Dormir num sítio…
A verdade coitadinha, como não conseguia dormir passava mal.

Um dia em que a vida corria melhor e melhor para a mentira, ia ela de uma aldeia para a outra ia ela pelo caminho fora quando começa a ouvir um pranto de desespero atrás de uns arbustos. Ela saiu do caminho e aproximou-se daqueles arbustos. Quando espreitou era a sua irmã baba e ranho por todo o lado, com os olhos inchadíssimos…

--- Ehh, oh verdade tu sai-me daí, tu nem digas que és minha irmã que eu tenho vergonha.
Ela saiu coitadinha estava muito mal e dizia que estava farta daquela vida….
-- O que é que eu devo fazer, ninguém gosta de mim…
Ela teve pena, compadeceu-se daquele sofrimento e de um saco que trazia consigo a mentira começou a tirar uns panos dourados, uns panos prateados umas coisas para fazer uns penteados esquisitos e transformou a verdade numa pessoa completamente diferente.
A verdade estava toda contente para experimentar o seu novo visual na nova cidade, mas antes de ela seguir caminho a mentira disse:
-- Alto! Não sigas caminho ainda. Tu agora quando fores para a próxima cidade verdade, tu vais dizer que o teu nome é história. Daqui em diante o teu nome vai ser sempre história, nunca digas que o teu nome é verdade, e desde então a verdade, vestida com panos da mentira seguiu o seu caminho e bateu á porta de todos os homens e todos os homens a deixaram entrar na sua casa e no seu coração e se nos olharmos bem para uma história nos sabemos que todas as histórias são grandes mentiras, mas no fundo bem lá no fundo há um bocadinho de verdade.

Fonte:
História contada por Tânia Silva á TSF como apresentação do que ira ser o Encontro de literatura infantil no Porto no dia 19 de Março, que vai juntar escritores, ilustradores, professores e contadores de histórias

quinta-feira, 5 de Março de 2009

Metallica - Leper Messiah

O messias...o profeta...os anjos...arcanjos...assuras...coisas do céu e do inferno, medos e aspirações...conforto...segurança na terra, no céu ou no inferno...


domingo, 1 de Março de 2009

Nada

(...) O circuito da comunicação acaba também por ser um circuito que produz um padrão de dominação e uma das suas escalas estabelece-se ao nível linguístico, que por sua vez emite enunciados discursivos que regulam ou condicionam as práticas, no entanto, reality exists outside language, but it is constantly mediated by and through language (Hall 2003:511). A teoria linguística (importante na compreensão dos discursos e das relações que estabelecem com as práticas) assume como conotação a maior fluidez e associação de significados e respectivos significantes, bem como a universalidade com a denotação.

It is because signs appear to acquire their full ideological value – appear to be open to articulation with wider ideological discourses and meanings – at the level of their associative meanings (that is at the connotative level) – for here meanings are not apparently fixed in natural perception (that is, they are not fully naturalized), and their fluidity of meaning and association can be more fully exploited and transformed (idem:512).

É portanto ao nível denotativo que as ideologias dominantes se posicionam, e ab contrarium, ao nível conotativo que a dinâmica transformativa se opera sobre o significado, derivando para uma interpretação e condição polissémica do discurso, bem como para uma correspondente diversidade das práticas ou apropriações estratégicas do significante dominante, ou seja denotativo/literal. The domains of “preferred meanings” have the whole social order embedded in them as a set of meanings, practices and beliefs (ibidem:512), dominação essa que se ergue sobre uma panóplia de sanções, legitimações e limites impostos por sistemas de coercibilidade. Esta ideia devidamente adaptada, constitui-se como a base de todo o pensamento de Judith Butler no que concerne à problemática sexo/género. Para ela o género constitui-se mais como uma questão de performances sociais reiteradas/ritualizadas de diferenciação e legitimação de hierarquias, do que como uma realidade apriorística, stopped as an attribute of a person, sex inequality takes the form of gender; moving as a relation between people, it takes de form of sexuality. Gender emerges as the congealed form of sexualisation of inequality between men and women (Katherine Franke in Butler 2006:XII). Ou seja:

When the constructed status of gender is theorized as radically independent of sex, gender itself becomes a free-floating artifice, with the consequence that man and masculine might just easily signify a female body as a male one, and woman and feminine a male body as easily as a female one (idem:9).

No mesmo sentido, Foucault considera que a lei, neste caso a que institui uma heterossexualidade alicerçada na existência de apenas dois géneros, feminino e masculino, cria a noção de uma lei prévia ao sujeito, naturalizando desta forma essa existência. No entanto, esse mesmo enunciado discursivo que estigmatiza e classifica a alteridade e simultaneamente legitima o normal, abre nessa sua apetência pela ordem positivamente discriminada, espaço à sua própria subversão (Foucault in Butler 2006). A lei ao discriminar o certo cria um vácuo imenso para tudo o que a seus olhos se revele como subversivo e poluidor, esse sujeito has developed some wrong condition or simply crossed over some line which should not have been crossed and this displacement unleashes danger for someone (Douglas 1969:4), pelo que a quebra do tabu se constitui como a negação da lei, negação essa infinitamente mais vasta do que aquilo que objectivamente visa negar. In representation, one sort of difference seems to attract others – adding up to a spectacle of otherness (Hall 1997:231-232), em que a negociação do sentido, ou seja a negociação muitas vezes agonística das representações, se desenrola num infindável entrelaçar de elos, em que uma forma de negação apenas pode ser entendida tendo como referência aquilo que tendencialmente se revela como hegemónico e simultaneamente objecto da negação. Hall goes on to argue, messages have a “complex structure of dominance” because at each stage they are “imprinted” by institutional power-relations (Hall 2003:507).

quinta-feira, 29 de Janeiro de 2009

Cognição social e teoria da Mente

A hipótese da cognição social apresenta-se como modelo alternativo/complementar á hipótese ecológica para o desenvolvimento da inteligência em primatas.

Enquanto a hipótese ecológica defende que terão sido questões adaptativas relacionadas com a sobrevivência dos animais tais como os comportamentos de foraging ou técnicas de evitação de predadores as verdadeiras responsáveis pelo grande desenvolvimento da inteligência em primatas, a hipótese social, também conhecida como hipótese maquiavélica, defende que na base deste desenvolvimento estarão os desafios sociais específicos da sociabilidade dos grupos de primatas.

A cognição social está intimamente ligada com a Teoria da mente, pois é dela que depende não só uma maior capacidade de compreensão e manipulação social como também a aquisição de níveis superiores de intencionalidade no comportamento animal.

Deixo-vos com uma breve apresentação sobre este vasto tema.


terça-feira, 30 de Dezembro de 2008

BE NORMAL! snälla...

Seguindo dois dos temas que têm vindo a ser recorrentes neste blog, a trans e a homossexualidade, gostaria de deixar duas recomendações de filmes OBRIGATÓRIOS :)

Em ambos os filmes está presente um, ou quem sabe "o" verdadeiro problema da homo e da transsexualidade: A pressão social para uma "adesão" á normalidade estatistica.



Ma vie en rose (1997)

IMDB

video

Torrent

Fucking Åmål (1998)

IMDB

Numa frase: "Como sair, do armário (Literalmente)"

video

Torrent

sábado, 6 de Dezembro de 2008

A LESBIAN IS NOT A WOMAN

One is not born a woman, frase de Monique Wittig, publicada num artigo com o mesmo nome, na revista Feminist Issues. Tem como leituras, a de que a categoria sexo não é natural, nem invariável, mas que tem sim um uso político específico de uma categoria da natureza que serve o propósito da sexualidade reprodutiva, o que também é sustentado por Gayle Rubin que veremos mais à frente. Para ela não faz sentido dividir a humanidade em masculino e feminino, senão for para servir os interesses da sexualidade heterossexual, com fins reprodutivos, entre outros interesses implícitos, como por exemplo o conceito tradicional de família. Assim, ao contrário de Beauvoir, Wittig considera não haver distinção entre sexo e género, a não ser que seja para servir os interesses políticos da heterossexualidade. O outro aspecto em que Wittig se destaca é no facto de o “ser” mulher, apenas ser concebível dentro de um equilíbrio de forças entre homens e mulheres, ou seja dentro da relação de poderes da heterossexualidade normativa. Assim, para ela: a lesbian is not a woman (ibidem:153), porque numa relação entre mulheres não há feminino.

terça-feira, 2 de Dezembro de 2008

Reflectir sobre o porquê das coisas



"Antigamente o parceiro de Portugal no fundo de todas as tabelas europeias era a Grécia, por vezes a Espanha. (...) Agora Portugal passou a ter comparação com alguns países do Leste europeu."


João Paulo Guerra, Jornalista in "Diário Económico", 2-12-2008

Portugal é o sexto país mais pobre da OCDE (Organização para a cooperação e desenvolvimento economico) e os dados revelam que a riqueza nacional portuguesa vale menos 28 por cento que a média dos países desenvolvidos.

No topo da tabela estão o Luxemburgo, a Noruega e os Estados Unidos da América. Mais no fundo e atrás de Portugal, estão apenas a Hungria, a Eslováquia e a Polónia, três países da União Européia, membros da OCDE, assim como o México e a Turquia. Portugal foi em 2005 ultrapassados pela Republica Checa e apesar de estarmos mais pobres que países como a Coreia do Sul e a Grécia pagamos mais pelo que consumimos e mantemos o ritmo de consumo.

Consumimos, consumimos caro, e sobretudo não temos consciência de que consumimos caro. Mas basta dar uma voltinha por fora destas quatro paredes para nos apercebermos de que algo está determinantemente mal com o sistema português.

Abaixo duas fotos que tirei a uma máquina de vendas automática numa estação de comboios na Alemanha... dá realmente que pensar quando vejo nas mesmas estações de comboios, mas em portugal, os mesmos produtos ao dobro do valor cobrados a quem ganha 3 vezes menos.

Quem guardará este lucro?


parte do texto adaptado de: http://www.lusomotores.com/index.php?option=com_content&task=view&id=1673&Itemid=93




quarta-feira, 12 de Novembro de 2008

Selecção sexual - Questionário





Ainda hoje, quando ouvimos falar em selecção tendemos a remer de imediato esta ideia para Darwin e para a selecção natural. Tal acontece muito provavelmente porque, embora Darwin tenha simultaneamente enunciado os princípios da selecção sexual, esta ideia ter sido praticamente ignorada e até rejeitada até cerca de 1970. Este principio foi logo em 1871 sugerido por Darwin como tentativa de resolver a aparente incongruência entre a adaptação e o desenvolvimento de características potencialmente minimizadoras das possibiliidades de sobrevivência dos indivíduos como o são traços exageradamente exuberantes como as penas do pavão macho. Darwin esboçou na sus obra The descent of man como se segue a sua ideia acerca da selecção sexual:

“when the females and males of any animal have the same general habits of life, buit difffer in structure, coliur or ornament, such differences have been mainly caused bu sexual selection: that is by individual males having had, in successive genearations , some slight advantage over other males in theyr weapons means of defence, or charms wch tey have transmited to theyr male offspring alone” Darwin , (1871).

Na maioria dos vertebrados incluindo os primatas não existem praticamente diferenças na forma e tamanho corporais dos indivíduos até á puberdade (Badyaev, 2002). Apartir da puberdade os corpos começam a especializar-se e a diferir devido ao desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários. Caracteres sexuais secundários são todos aqueles que se desenvolvem sem qualquer relação com a reprodução em si mesma (ex: seios permanentemente inchados nas mulheres, Barba e Pénis demasiado grandes proporcionalmente ao tamanho corporal no caso dos homens) .

A psicologia evolutiva é uma ciência com aproximadamente duas décadas que tem vindo a abordar este tema até muito recenetemente pouco estudado.
Esta ciência tem como pressuposto basilar a existência de um darwinismo comportamental, ou seja, á semelhança do que acontece com a selecção natural, visível nos traços físicos e adaptativos das diversas espécies (Asas para voar, braços grandes e longos para braquear nos primatas braqueadores, bicos grandes e robustos para comer sementes duras nos tentilhões das galápagos), a selecção natural terá actuado igualmente sobre os comportamentos de cada uma das espécies. Isto só é possível se concebermos, porque a psicologia evolutiva tem igualmente como pressuposto que os comportamentos são adaptações evolutivas codificadas nos genes tal como as características morfológicas sendo assim passadas através das gerações durante o processo de reprodução. Desta forma, á semelhança do que acontece com as características anatómicas, possuímos enquanto espécie tendências inatas para nos comportarmos de determinadas formas e para dar tendencialmente as mesmas respostas a determinados estímulos.
Um dos grandes ramos de estudo desta ciência, e também um dos que tem crescido mais rápido dentro da área da boologia evolutiva é a selecção sexual. De acordo com o mesmo autor, ao contrario do que se possa pensar a selecção sexual é uma selecção mais forte do que a selecção natural actua em cada geração ,sempre que existe escolha de parceiros sexuais, devendo por isso ser merecedora da nossa atenção enquanto evolucionistas.



Solicito agora a todas as mulheres e homens (Portugueses) que possam estar interessad@s em colaborar, o preenchimento deste pequeno questionário(so demora 5 minutos).

Destina-se a suportar um trabalho académico para a cadeira de Evolução do comportamento humano. Há versão senhoras e versão homens, desta vez é apenas um questionário destinado a mulheres e homens heterossexuais.


Para as meninas!

quizmulheres.freehostia.com


Para os meninos!

quizhomens.freehostia.com

é so clicar o link no link e preencher.

Desde já muito agradeço

:)

Sapiens

quinta-feira, 6 de Novembro de 2008

Producing the Mothers of the Nation de Patricia Hill Collins

Estados Unidos, sociedade profundamente racializada, rácica e racista. Nem todas as mulheres se encaixam no ideal de maternidadee família Norte americana. A sua análise incide nas Norte Americanas brancas de classe média, brancas de classe trabalhadorea, afro-americanas e imigrantes latinas não documentadas. Relativamente à noção de cidadania, as primeiras serão cidadãs de primeira, as afro-americanas de segunda e as latinas não documentadas, reduzidas à invisibilidade da não cidadania. Collins pretende mostrar como as políticas populacionais, pretendem regular discriminadamente a “maternidade” de diferentes grupos de mulheres, em função da raça, classe social e cidadania/ausência dela. Algumas mulheres são mais merecedoras de serem "mães da nação" que outras, aiming to increase fertility for more desirable segments of the population and decrease fertility of less worthy citizens (idem:119). Social class and citizenship status both affect women´s experiences with population policies (idem:119).
As mulheres brancas e de classe social mais afortunada, podem ver as suas opções de maternidade reguladas e estimuladas pelo sector privado, dada a sua facilidade de acesso aos mesmos, não dependendo portanto das medidas estatais para definir as suas prioridades. Já ano que concerne às mulheres menos afortunadas, por raça, classe e estatuto mais ou menos indefinido de cidadania, acabam por encontrar as suas opções mais ou menos reguladas pelo sistema estatal, estando por isso mais dependentes dele e logo, mais controladas e menos livres nas suas opções. Estão no fundo, constrangidas a um nível social e económico. As primeiras recorrem a sistemas médicos privados não estigmatizados, as segundas,:as brancas trabalhadoras , as de cor recorrem a um sistema público claramente dirigido aos sectores mais carenciados, pelo que se torna alvo de estigma social, assim como quem recorre aos ditos sistemas. As não documentadas terão ainda mais dificuldade em fazer valer os seus direitos, visto que, privadas do direito à cidadania se encontram profundamente limitadas para recorrer ao "apoio" do estado.

Existem ainda diferenciações propiciadas pela tecnologia, sub-divididas em reprodução genética, gestativa e maternidade social. As mães da nação são as de classe média e brancas, são as que correspondem ao ideal americano de maternidade e família. As mulheres de classe trabalhadora e as mulheres de cor, são as que se integram no sistema de políticas estaduais de população e que não raras vezes assistem a mãe ideal na sua função maternal.
Estas condições favorecem a brancas de classe média como mães genéticas, gestativas e sociais. Por exemplo, a questão da infertilidade e sua constituição como tragédia nacional, só se coloca em relação a este grupo, tal não acontece com as menos afortunadas social/economicamente e inférteis. As primeiras são assistidas medicamente via maternidade genética e gestativa para atingirem a maternidade social. Outro exemplo, é o facto de todas as instituições relacionadas com as crianças se dirigirem ao grupo ideal, nomeadamente no que concerne à ocupação de tempos livres, calendários diários e anuais das crianças. Douglas Massey e Nancy Denton classificaram toda esta configuração social como “American apartheid” .
Ao nível das mulheres brancas trabalhadoras, elas adequam-se ao papel de mães genéticas e gestativas, no entanto, no que concerne ao papel de mães sociais que passam cultura e propiciam uma educação académica, produzindo cidadãos economicamente viáveis, elas perdem esse estatuto para as mulheres de classe média branca, daí que o encorajamento dado directa ou indirectamente pelo estado, se resuma ao de darem à luz, recebendo muito menos apoios na função de criar os filhos. Ao facto de terem de trabalhar, principalmente aquelas que constituem lares monoparentais, acresce o facto de terem diacronicamente vindo a receber menos apoio para a maternidade, sendo que entregar os filhos para adopção surge como a alternativa mais viável em muitos dos casos.
A partir de 1965, por variadas ordens de factores as mães negras tornaram-se inaptas para qualquer uma das facetas da maternidade (genética, gestativa e social) o Moynihan report desvalorizou muito o papel das negras como mães, um exemplo desta situação é-nos apontado por um contencioso jurídico, Johnson vs Calvert. Anna Johnson foi contratada para ser mãe gestativa de uma criança, por um casal em que o pai era branco e a mãe Filipina, ao mudar de ideias e ao querer manter a criança consigo, o tribunal teve dificuldade em conceber uma mãe negra de um bebe branco, atribuindo a criança aos pais contraentes (Ikemoto 1996).
Afastadas como símbolos da nação enquanto mães, colocadas em oposição às mulheres de classe média branca, as negras viram o seu papel ser constantemente desvalorizado, por uma nação que se pretende afirmar como branca. Criou-se um esteriótipo de mãe negra como sendo menos intelectual, mais impulsiva e emotiva, elas não têm o direito de pertencer à “família nacional americana” (Lubiano:1992). Possuem escassos apoios médicos e empregos pouco seguros, no entanto estão um pouco acima das brancas na taxa de fecundidade, 2,2 para 2,0 (Bianchi and Spain 1996). São portanto e em todo o caso induzidas à esterilização permanente ou reversível, especialmente se recorrem à assistência pública, que é o que acontece na maior parte dos casos. As suas escolhas são ainda menores que as brancas trabalhadoras e inexistentes face às brancas de classe média.
Actualmente, surgem as indocumentadas, provenientes da América latina,; as mexicanas por exemplo, que se transformaram nas amas das mulheres brancas ideais da nação/família branca norte americana.
Collectively, the experiences of these four groups suggest then when it comes to being mothers of the nation, race, class and citizenship status matter greatly.

segunda-feira, 20 de Outubro de 2008

Colonialismos e Valores nas suas várias acepções

Passei para deixar uma dica para um excelente filme do realizador Jorge Paixão da Costa.
Um filme origem portuguesa, sobre a história portuguesa.
Uma reflexção sobre o Portugal dos finais do século XIX que discorre sobre as várias acepções da colonização e tece uma forte critica á alta sociedade de então... tudo em torno do MISTÉRIO da estrada de Sintra...






Por ter sido escrito entre a pena de Eça de Queiróz e a de Ramalho Ortigão segue uma bela passagem do seu texto adaptado ao filme.

"Conde Jorge Valadas -- pois saiba que os portugueses e as portuguesas dizem muitas coisas e fazem muitas mais, e quanto a impérios, ainda está para vir um que não caia.

Capitão Rytmel -- Ainda no outro dia me disse que os ingleses tinham feito um trabalho verdadeiramente civilizador na índia, uma transformação muito fecunda
Vasco -- Eu bem gostava de saber que transformação fecunda foi essa? que transformou toda aquela poesia quase de marfim numa coisa chata, trivial e suja de carvão e que trata a doce raça dos índios como se fossem cães irlandeses, e ensina-os a jogar criquet, e faz belíssimos cruzeiros sobre o Ganges destronando os seus legítimos reis enquanto que do outro lado do mundo sua majestade lhes envia uns sujeitos de suíças, crivados de dividas, que vão deportados governar quem lhes é mil vezes superior.
E quem é que faz tudo isto capitão Rytmel? ; a sua Inglaterra!
uma ilha feita, metade de gelo, e a outra metade de gordura e rosbife; habitada por piratas de colarinhos altos e odres de cerveja!"


UM FILME A NÃO PERDER.

domingo, 19 de Outubro de 2008

E se deus não existe?

Crescemos, a maioria de nós, enliados em verdades absolutas e dogmáticas: Deus existe, o Ocidente é o berço e o acordar da civilização, a economia é um paradigma intocável e inalterável, os países de terceiro mundo nunca passarão a segundo e muito menos a primeiro, isto e muito mais, deu-nos a sensação de segurança que nos permitia olhar o presente, como se ele fosse ao mesmo tempo, presente, passado e futuro. Esquecemos, a maioria de nós, de olhar para trás e constatar , por exemplo, que os E.U.A. têm cerca de duas centenas de anos, que muitas civilizações importantes se localizaram fora da Europa, a Inca, a Azteca, a Egípcia, etc, e que a história está repleta de vertiginosas ascenções e muito mais rápidas implosões catastróficas e que o conceito de "Terceiro Mundo" foi estabelecido pelo demógrafo francês Alfred Sauvy, em 1952 e utilizado em 1955 na conferência de Bandung. O que todas estas presunções têm em comum? O facto de serem apenas verdades históricas, seus produtos e não verdades naturais ou não inventadas ( se é que as não inventadas são passíveis de conhecimento).

segunda-feira, 13 de Outubro de 2008

Ciência...ausência de poesia?

O que ganhamos com a ciência, é afinal tristeza (Thomas Hardy).

Será??

terça-feira, 30 de Setembro de 2008

Globalização

Em sequência da mais recente crise económica, envolta em penumbra e gás mostarda:
A globalização é como uma onda do mar, que nunca atinge simultaneamente e por igual, todos os pontos de areia que estão diante de si, mas que mais tarde ou mais cedo, acaba por os tocar a todos (Luís 2007).

Globalização como compressão de duas categorias fundamentais de organização humana, espaço e tempo (Harvey 1989).

The globalization of production and consuption, or the heightened mobility of people, goods, ideas and capital, also creates transnational communities and generates a demand for the skills and out-looks these communities offer (Levit 2001:22).


Moreover, identity has come to supply something of an anchor amidst the turbulent waters of the - industrialization and the large - scale patterns of planetary reconstruction that are hesitantly named “globalization” and “late modernity” (Woodward 1997:312).

Globalização como processo de intensificação brutal de fluxos de capitais mercadorias, ideias, cultura e pessoas à escala mundial e das relações, articulações e dependências que se geram por seu intermédio entre indivíduos e sociedades (Giddens 1990, 2000).

quarta-feira, 17 de Setembro de 2008

Quando a noite cai

Circunstancializando o posterior relato: já era tarde, 2 ou 3 da manhã. O casal vai finalmente para a cama, tentar dormir. A conversa que passo a descrever, sucedeu efectivamente.
ela: eu tinha uma professora que ministrava...
ele: ministro vem do latim magister e que tem a ver com magisterium que creio ser função...
ela: ai é?
ele: Mas é engraçado (delirando) que derivado de ministro existe um verbo que é ministrar, o qual nunca é aplicado à circunstância em que actualmente se adjectiva alguém como ministro, ou seja, um titular de uma pasta num governo de estado. Nunca se diz, ou pelo menos não me lembro de ouvir dizer, que o ministro, ministra, no entanto, já é mais vulgar ouvir dizer ou dizer, que um professor ministra. O ministro quanto muito administra (delirando com intensidade)...as palvras sofrem os efeitos dialécticos da mudança que as preênche...tipo a dialéctica Hegeliana, a viagem do espírito, da ideia no seu eu virado para si, a confrontação com a sua alteridade, que irá culminar numa sintese, que de sintética nada tem, pois já contem em si mais momentos, que os estadios que a precederam. Isto é interminável...nunca acaba...o problema do Marx é que a coisa se reduzia muito à luta de classes...chamavam-lhe socialismo utópico! Mais uma vez o latim...topus=lugar, logo utopos é o que não tem lugar...chamavam-lhe o materialismo histórico...
ela: ahhhhhh...bocejou intensamente.
ele: Pois...penso, logo existo!
ela:Pois é...
ele:Esse era um racionalista...tudo estava na razão, já o Locke era um empiriscista, tudo passava pelos sentidos...tudo, mas tudinho mesmo, a teoria da folha em branco ou tábua rasa!
ela:ahhhhhh
ele: Havia ainda uns cépticos...David Hume..blã blá blá, esses duvidavam da capacidade de se produzir saber ou conhecimento. Então apareceram os idealistas...tipo Kant, o paradigma misto entre empiricismo e racionalismo, as categorias àpriori espaço e tempo que enquadram a experiência...
ela:ahhhhhhhhhhhhhhhh
ele:epah! desculpa lá não me calar...mas isto era só para explicar que as palavras têm vida, algo que se assemelha à dialéctica hegeliana, só que neste caso é tipo uma dialéctica Sousurreana, a oposição constante entre palavras, em si vazias de conteúdo, que só adquirem significado pela relação opositiva que estabelecem entre si, no fundo uma visão sistémica, tipo teoria dos vasos comunicantes. Sistema, não como soma das partes, mas sim como soma das relações entre as partes, tás a ver? O mundo e a vida são só movimento criado pelo confronto, oposição, fricção, enfim muita coisa que acabe em ão!! Nada está parado, mesmo quando parece que está...já o Foucault dizia que "o agonismo é uma recalcitrância autêntica do indivíduo"...epah!Por falar neste senhor, heterotopias é um termo dele...mas agora não me lembro...hetero...tem a ver com o outro, tipo se é heterossexual...é porque se sente atraído pelo sexo diferente, por isso...heterotopia tem que ver com diversidade, não achas?
Mas ela já dormia profundamente. Ao menos serviu para algo, pensou o gajo. Boa noite.

sábado, 13 de Setembro de 2008

The Clansman / Iron Maiden

Wake alone in the hills
with the wind in your face
It feels good to be proud
and be free and be a race
That is part of a clan
and to live on highlands
And the air that you breathe
so pure and so clean
When alone on the hills
With the wind in your hair
With a longing to feel ..
Just to be free
Is it right to believe
in the need to be free
It's a time when you die
and without asking why
Can't you see what they do
they are grinding us down
They are taking our land
that belongs to the clans
Not alone with a dream
Just want to be free
With a need to belong
I am a clansman .....Freedom
It's a time wrought with fear
it's a land wrought with change
Ancestors could hear
What is happening now
They would turn in their graves
they would all be ashamed
That the land of the free
has been written in chains
And I know what I want
When the timing is right
Then I'll take what is mine
I am the clansman
And I swear to defend
And we'll fight to the end
And I swear that I'll never
be taken alive
And I know that we'll stand
and we'll fight for our land
And I swear that my bairns Will be born free
And I know what I want
When the timing is right
Then I'll take what i want
I am the clansman
Freedom
And I know what I want When the timing is right
Then I'll take what is mine I am the clansman
No, no we can't let them take anymore
No we can't let them take anymore
We've the land of the free
Freedom
Is it right to believe
in the need to be free
It's a time when you die
and without asking why
Can't you see what they do
they are grinding us down
They are taking our land
that belongs to the clans
Not alone with a dream
Just want to be free
With a need to belong
I am a clansman
And I know what I want
When the timing is right
Then I'll take what is mine
I am the clansman
Freedom