quarta-feira, 30 de maio de 2007

O amor

Inspirado em aulas tidas com o professor Gabriel Pereira Bastos (antropólogo e psicanalista), aqui vai aquilo que psicanaliticamente pode ser uma caracterização deste estado de alma: o amor deriva do exagero das qualidades do objecto desse amor, face a todos os outros. Assim, amar uma mulher seria o exagero das suas qualidades e diferenças positivas, face às de todos as outras mulheres. Bem...a verdade é que quando as coisas dão para o torto, essas qualidades maravilhosas que víamos nelas desaparecem e o inverso também é verdadeiro. Será pois o amor uma mera ilusão? Atenção...para mim a ilusão é tão real, quanto aquilo que a maioria julga ser a realidade, pois são tudo representações. Por exemplo, as bolsas de valores geram emoções, no entanto surgem apenas com o sistema capitalista, como tal são repositórios de emoçoes e interesses de alguns homens e mulheres, sem realidade em si. Não são produtos naturais, mas sim históricos. Produto natural é a água, mas já não a entidade linguística que a designa. Mas há pessoas que amam a bolsa e o dinheiro, poderá pôr-se a hipótese de deslocarem e condensarem abstractamente qualidades de uma mulher, para este seu objecto de entrega total?
O tio Patinhas por exemplo, está em constante orgia monetária...embora a sua sexualidade nunca tivesse sido exactamente abordada. mas quem sabe um dia venha a ser? Iludam-se, porque só quem se ilude pode ter momentos felizes. A ilusão é a melhor arma contra a ditadura.

3 comentários:

sapiens disse...

e também a maior fragilidade na luta contra a ditadura. Não esqueçamos que as ditaduras se instalam através de ilusões. Por outro lado , no plano individual, há certas ilusões que são autenticas prisões.

bela lugosi`s dead disse...

Mas é precisamente a essa ambivalência que me refiro, como em tudo há ilusões boas e más, mas quem tiver consciência de que vive num mundo filtrado por si e pelos outros, pode mais facilmente discutir aquilo que lhe é apresentado como indesmentível e nesse sentido discutir as verdades aprioristicas do tipo kantiano em que a cultura massificada o mergulha, promovendo a discussão e desconstrução da cultura injectada. As massas são manadas, a TV, as igrejas, os partidos políticos, etc...são os pastores que lhes dão a falsa sensação de segurança de existir num mundo antropomórfico, em que tudo existe à imagem do homem, porque ele não tem consciência que está iludido, ao invés vive num mundo de aparentes certezas, que os paradigmas científicos, os dogmas religiosos e as grandes ideologias lhe proporcionam.

bela lugosi`s dead disse...

referia-me também a um outro tipo de ditadura, a interior.