segunda-feira, 28 de maio de 2007

CACÉM - um atentado á saúde publica



 


Um Pouco no seguimento do post publicado pelo colega Jorge Ramos cujo cariz era de critica ao urbanismo e ao crecente decréscimo de qualidade de vida das populações urbanas, venho hoje apresentar a minha critica ao CACÉM.

Para quem conhece Wanderley , esse louco personagem da série “vai tudo abaixo” a passar na sic radical, faço minhas as palavras do senhor quando se refere á dita localidade.

Não considero esta minha maldicencia pura má vontade , mas sim uma digna e justificada queixa. Sendo eu um ser humano, senti na pele , hoje, que ( infelizmente ) tive de visitar o Cacém, o que sentem milhares de pessoas todos os dias por viverem ou terem de trabalhar em tamanho antro (passo o vernáculo do termo mas não lhe encontro outro substantivo á altura da experiencia).


Confesso que me sobejam ideias para esgrimir suficiente destruição verbal a tal aberração urbanística... mas prometo não ceder á tentação, ficando-me apenas pela apresentação dos factos.

Feliz ou infelizmente sou um ser humano dotado de alguma sensibilidade , o que faz com que , não compreenda como é possível a existência de tamanho local com o estatuto de zona habitacional num país que se quer afirmar como país europeu. Há já alguns anos li algures que o município de Sintra era o que detinha o maior numero de freguesias com
o mais elevado nível de densidade populacional, ou seja, mais pessoas por metro quadrado, DA EUROPA, o cacem será sem duvida uma dessas localidades. Se quantidade não tem obnrigatóriamente relação directa com qualidade, no cacem verifica-se uma relação directa entre: mais pessoas, maior desogranização do espaço.

Note-se que não sou de todo uma pessoa irresponsável. Antes da saga que foi a minha viagem a esta localidade , tive o cuidado de planear cuidadosamente o meu percurso, não fosse eu, perder-me na urbe. delimitei cuidadosamente as estradas que teria de tomar , as ruas onde deveria de virar para chegar ao destino com a ajuda do software mais moderno que encontrei na internet.. mas, parece que de nada valeu.. não há sistema de navegação que sobreviva ao CAOS que é o Cacém. O cacem é o trigangulo das bermudas em terras lusitanas
e tem essa estranha propriedade de desnortear qualquer visitante uma vez que suspeito há décadas não deve de haver um único dia sem pelo menos uma maquina e uma dezena de homens a abrir buracos e a escavacar qualquer coisa para não variar mal construída, a mudar as estradas de sitio , a colocar semáforos, desvios e sentidos proibidos etc.


Valeu-me um simpático PSP que me deu indicações preciosas para retomar o meu caminho em direcção ao destino, depois do caos das obras, do caos dos carros, do caos das bixas, das dezenas de pessoas em carros e fora deles, das dezenas de passadeiras e das dezenas de peões a tentar atravessar a rua principal de um lado ao outro dou comigo, numa área completamente diferente. É esta diferença que me permite notar melhor o total desnorte e o “deixa andar o construtor civil” que constrói a seu bel prazer nos arrabaldes da grande capital.

De uma paisagem urbana com prédios medianos com arquitectura típica de finais dos anos 70, inícios dos anos 80, dou comigo numa paisagem absolutamente rural... ruas estreitas, com alcatrão esburacado e retalhado pelas constantes cicatrizes que num corpo de raiz não urbanizada onde se vão colocando ora mais uma , ora mais outra manilha de esgoto e saneamento, ali estou eu, a descer uma rua estreitíssima com pequenas casas rasteiras de aspecto aldeão, para de novo subir a rua desembocando novamente no meio de prédios, desta feita com ar de construção a datar de finais de noventa. Enfim, o caos de ruas, casas de construção ilegal, no meio de prédios com licencsas claramente compradas por empreiteiros a presidentes de câmara que assim encheram os bolsos, indo com toda a certeza construir a sua bela moradia fora do antro, ou seja, num sitio digno onde possa deixar os filhos a brincar fora de casa.

no regresso, com tanto desvio lá tive de sair do Cacém por saídas alternativas, era impossível com tantos desvios e tantas obras chegar de novo ao local por onde entrei...


Enfim... Em poucas palavras esta minha curta visita matinal, levou-me a concluir que o cacem é um autentico prejuízo para:


Os olhos : como podemos tolerar paisagens hiper-saturadas com sinalização de obras, cartazes publicitários velhos e secos a descascar das paredes dos prédios, também estes secos, e velhos da idade com cores igualmente aberrantes e em total desarmonia com a restante construção. A temperar tudo isto carros das mais variadas cores atropelam-se no meio do transito salpicados por senhores de capacetes brancos e coletes amarelos flourescentes que cirandam pelo cenário procurando trabalhar no meio do caos. enfim.. quanto ás marquises essa modazinha com nome francês em alumínio cheias de lixo até ao tecto a causar-me cataratas devido á entropia que me causam nos olhos nem vou comentar...

Os ouvidos : desafio alguém que tenha um medidor de decibéis a medir os níveis de poluição sonora no cacem. Com certeza mereceria multa se ops dados fossem levados junto de instituições de saúde publica internacionais.

A saúde : se conjugarmos a poluição com o stress de quem tem de conduzir nesta autentica pista de obstáculos o cacem aumenta com toda a certeza os níveis de stress, a pressão arterial á medida que vai corroendo os pulmões e mucosas de quem lá tenha de respirar.

o nosso sexto sentido... que talvez seja a nossa capacidade de organização mental.. o cacem é o antípoda da organização mental. É impossível compor padrões de organização no cacem sejam eles a que nível forem... no cacem cruza-se a ruralidade com o urbanismo num cenário que materializa o êxodo rural dos anos 80 com a explosão consumista dos anos noventa , onde se degradam os edifícios vinte e trintenarios. Todos os espaços de lazer têm cara de improviso, e a densidade da construção cria uma claustrofobia onde é raro sentir igual...


o meu perdão a todos os que lá têm investido o seu dinheiro em habitações e no fundo nas suas vidas.. mas a minha sugestão não poderia passar por outra coisa que não : EVACUAÇÃO e CARPET BOMBING para se poder construir um futuro melhor.. com menos remendos e com a reconstrução de um espaço verdadeiramente mais humano.




9 comentários:

Anónimo disse...

Cacém só com a 3ª Bomba Antónia!!!


Ass. Alguém que viu este endereço escrito numa mesa da Faculdade!!

Moura ao Luar disse...

Tinhamos que deitar abaixo metade das construções de portugal ahah

bela lugosi`s dead disse...

fonix ó Sapiens!!sempre a mesma cena e tal e coiso...a rebentar com o património da fcsh!!e o Sr. Quadrado??nepias??não faz nepias??dass!!!

Quanto ao Cacém, é realmente um caos urbanístico...pior que isso só mesmo o estádio da luz...mas isso são outras conversas, que não posso manter aqui e tal...porque...e...não posso!!prontos!!

eheheh tou mesmo divertido...não vou dizer mais nada...prometo!

hasta

sapiens disse...

Desde já olá anónimo, e obrigada por visitares :)

bela lugosi`s dead disse...

Sapiens...tou lixado...eu falei no nome do Sr. "losango", quebrei a ética do blog...revelei a sua identidade...e se eu agora começar a confundir o pessoal com montes de nomes de figuras geométricas? tipo...Sr.º circunferência ou paralelipipedo...sei lá...ou rectângulo. Eu sabia que isto não era um bom dia para ter ideias...daki só vou para pior. Ok...correcção...Sr.º hexágono, este é que está certo.

sapiens disse...

LOLOL acho que o meu Qi sofreu um rombo com a minha vizita ao cacém pah, n estou a perceber nada do que estas para aí a dizer oh lugosi... agora estas a estudar geometria?

bela lugosi`s dead disse...

Isso...isso mesmo...estou mesmo a estudar geometria descritiva, no nosso vocabulário, mais conhecida por etnografia. Isso mesmo!!

:)

Jorge Ramos disse...

PÁ PESSOAL.. NINGUÉM TOQUE NA FCSH, O ISCTE, PODE SER, MAS A FCSH, É QUE NÃO!!!!

bela lugosi`s dead disse...

A culpa é da Sapiens!! Ela é que parte aquilo tudo!! eu nem lá vou ahahahah