sábado, 14 de julho de 2007

Nada

Há alturas em que descemos numa estação de comboio, num qualquer ponto do país, um qualquer ponto que não conheciamos antes. Deparamo-nos com o desconhecido e verificamos que apenas conheciamos os caminhos que nos levam a casa e que percorremos diariamente. Eu gosto de viajar de comboio, acho interessante. É pena terem acabado com a única carruagem para fumadores. Quando viajo dispo-me de quem sou, apenas eu e uma mochila quase sem roupa lá dentro. Geralmente vou comprando conforme preciso. Gosto da sensação ilusória de liberdade, de parar num local, procurar uma pensão e ver o quarto que me destinam conforme a minha aparência no momento. Gosto de me despedir temporariamente do passado. Gosto de fugir ao peso do conhecido de que no entanto preciso. Gosto de sair de minha casa para depois gostar mais dela. Gosto de não ter que saber nada. Gosto da sensação ilusória de liberdade.
Há alturas em que tudo me parece tão fútil...política, economia, religião...há alturas em que isso não me interessa para nada. Há alturas em que só me apetece viajar.

7 comentários:

Henrik disse...

Para melhor sermos quem somos precisamos sempre de nos relembrar de que - ou quem - não somos. Como num jogo de espelhos a identidade revela-se por ausência=) Bom fds.
PS: não levei à letra a questão de beber a água da chuva, algo me diz que tens razão e pode fazer algum mal;p Lol. Abraço.

Aninha disse...

Gostaria de ser assim!!!

Marta disse...

És tu e eu...dava tudo para poder agarrar numa mochila agora e ir à procura do desconhecido!
Viagens de comboio lembram-me a minha vida de estudante!

sapiens disse...

Eu também adoro tudo isso, falta-me apenas o mais importante de tudo, cachet para viajar ;)

Joana Dalila Santos disse...

Também tenho alturas dessas...

Mikas disse...

Gostaria de ir contigo ;-)

Rafael Velasquez disse...

e bom estar assim.