sábado, 4 de agosto de 2007

Curiosidade Linguistica



Hoje, numa conversa com um amigo calhei a dizer a palavra "imprimido" ao que ele logo me repreendeu -- não é imprimido, é impresso.

-- E digo eu com toda a convicção: ah é?! então vou ver á 'net.

Responde-me ele : -- Bah isso é tudo "brazuca", eles são mais de 100 milhões a escrever tudo mal nas páginas da net e nós somos uns mizeros 10 milhões... Aposto que vais lá encontrar imprimido de certeza...

-- Pronto, vou ao dicionário - disse:

E de facto após a consulta conclui que sim, no dicionário consta a palavra imprimdo e não impresso...
Imprimido é de facto o participio passado do verbo imprimir, mas, mais duas ou três voltas e concluí que impresso também era uma palavra Válida á qual também se acedia no dicionário por outras vias...

Mas porque raio andamos sempre a ter duvidas nesta palavra??? Pensei.

Como não tinha mais nada para fazer dei-me ao trabalho de reflectir comparativamente e concluí que quando desconhecemos uma palavra a chegamos até ela através da construção de paralelos com outras palavras e tempos verbais ( neste caso) que conhecemos. (Já professava ferdinand de Saussure acerca do Sistema da lingua)

Desta forma as palavras Imprimido / Impresso parecem fazer-nos confusão por dois motivos:

1 ) impresso é uma palavra que de facto conhecemos, mas é um substantivo e não um verbo. (de qualquer das formas é, no nosso cérebro tida como uma palavra válida que pode ser invocada)

2) fazemos paralelos que se revelam por vezes problemáticos e contraditórios:

A palavra imprimido , provém do infinitivo Imprimir, logo, a primeira tendencia é fazermos a correspondencia desse infinitivo com outros verbos que conhecemos que tenham a mesma terminação e atribuir-mos a conjugação do final desse mesmo verbo no tempo que pretendemos ao verbo que queremos saber conjugar: desta forma esta questão poderia ser resolvida com o seguinte Silogismo:

Imprimir é parecido com Caír:
Se caír no participio passado termina em ido (caído)
Então imprimir no participio passado terminará em "ido" e conjugar-se-á "Imprimido".

Isto acontece no entanto porque calhamos a escolher a palavra caír. Se a palavra que primeiro nos tivesse vindo á mente fosse Exprimir a deliberação seria diferente:

Imprimir é parecido com Exprimir:
Se exprimir no particípio passado termina em esso (expresso)
Então imprimir no paticipio passado terminará em "esso" e conjugar-se-á "Impresso"

Para além destes exercícios mentais existem regras gramaticais de conjugação que nos escapam por naõ serem tão intuitivas.

Vejam a explicação abaixo e com certeza já não podem dizer que não aprenderam nada hoje;)


" Apesar de desconhecida por grande parte dos falantes, existe uma regra que estipula que:

os particípios irregulares (ex.: impresso, morto, pago, salvo) devem ser utilizados com os verbos ser e estar (exs.: o documento foi impresso e ele foi morto)

e os regulares (geralmente terminados em -ado ou -ido) com os verbos ter e haver (exs.: ela tinha imprimido o documento e ele disse que tinha matado o coelho).

Citando Lindley Cintra e Celso Cunha, "de regra, a forma regular emprega-se na constituição dos tempos compostos da VOZ ACTIVA, isto é, acompanhada dos auxiliares ter ou haver; a irregular usa-se, de preferência, na formação dos tempos da VOZ PASSIVA, ou seja acompanhada do auxiliar ser." "

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3 comentários:

bela lugosi`s dead disse...

As línguas, tal como as sociedades são dinâmicas e no meu entender, o português depende cada vez daquele que é falado no Brasil, para a sua manutenção como uma das mais faladas no mundo. Temos que deixar de lado esse complexo paterno, fruto de um passado de descobertas, conquistas e dominação, aceitando que mais vale estar humildemente acompanhados, do que orgulhosamente sós. Lusofonia é troca e não poder paternal cheio se sapiência unidireccional.

sapiens disse...

hehe o pormenor do nome do ultimo autor referenciado torna-se curioso nessa mesma medida Lughosis.não sei quantos Celsos lusos existirão hihi. De qualquer das formas continuará a existir a questão da origem. obviamente os sincretismos são cada vez mais reais em termos práticos, mas em termos ideológicos e mentais , a ideia de origem virá sempre á baila até ao final dos tempos. O homem é incansavel na busca disso mesmo.

Anónimo disse...

Caro amigo,
passei por aqui e vi q trata como curiosidade linguística uma regra gramatical definida há muito. É certo q é mal conhecida, mas isso é uma consequência directa da iletracia dos portugueses, q mal conhecem a sua própria língua. Não há dúvidas quanto à definição do prof. L. Cintra, q pode ser confirmada noutros autores. Evidentemente, o falar corrente tende a colorir um pouco a regra, e isso faz parte da vida da língua. Mas o q não se pode admitir são pretensos cultos a darem esta calinada.
Está entregue ( e não "entregado").