quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Reflectir


Pegando ainda um pouco no ultimo post do colega Lughosi aproveito para partilhar algumas citações de um pequeno livro que me veio casualmente parar ás mãos.

É clara a posição "romantica" do autor aos olhos "Ciêntificos" do homem de hoje, mas, na realidade penso ser urgente o apelo do mesmo no sentido da nossa própria auto-critica enquanto humanos, seres sociais e elementos ecológicamente cada vez mais desintegrados.



"O desenvolvimento tecnológico, de resultado expresso em produto não reciclado, tende a constituir, nesta Sociedade, a principal justificação do comportamento e da moral. Assim a vida do homem oscila, naturalmente, entre uma actividade de produção e de consumo, mesmo durante os periodos de lazer. Se cuidasse apenas da sua subsistencia e do seu conforto espiritual, e não da ostentação que gera a inveja e cria a avidez, não existiriam home os desiquilibrios e as crises sociais que caracterizam as nossas sociedades".


Segundo Fromm, "o desenvolvimento do Homem em sociedade e não o progresso industrial, deveria ser a finalidade mais importante da organização social". A dificuldade do Homem em resolver os seus problemas em comunidade, ísto é, em criar estruturas adequadas ao seu quotidiano, leva-o por vezes a recorrer (...) a polítcas ecológicas, de indole biofisica e portanto não vocacioinadas para resolver os problemas humanos. Porém as ciências sociais, como de resto a propria tecnolpogia não devem ser culpadas (...) desta situação. Os unicos culpados são os homens , e destes os que detêm o poder e o conhecimento e desprexzam as ideologias. Eles sabem que não podem cumprir promessas, em especial quando feitas no ardor das campanhas eleitorais (...) então tudo prometem, como se os recursos fossem inestgotáveis e reprodutivos, ao exclusivo dispor de uma só geração.


Daqui resulta uma política de forçada criação de postos de trabalho que inevitávelmente conduzirá á produção do superfulo inutil, em grande parte material de guerra, como se daí irónicamente, viese a felicidade. O problema do desemprego é, pois, neste contexto um falso problema ou pelo menos um problema mal equacionado, que não raro impoe soluções socialmente nefastas como a fabricação de armamento. (...)


Entretanto caminhamos velozmente para o robot e para a automação, e assim para a redução do numero de empregos; se quisermos e em alternativa, para a redução do numero de horas de trabalho. o desemprego é frequentemente, nesta perspectiva o resultado de uma política errada que se reflecte no desajustamento entre as tarefas a realizar e o trabalho disponível.


No dizer de André Gorz, "a história do progresso técnico dos dois ultimos séculos não é mais do que a história do esforço tenáz, mas sempre gorado, para reencontrar o caminho impossivel do paraíso onde Adão e Eva sem trabalho , disgfrutaram elevada qualidade de vida".


O que na realidade está em causa é a valorização de todos os recursos e a formulação de um modelo de sociedade em que todos os homens participem. o principal objectivo deverá ser o de encontrar , transformar e valorizar, pela parrticipação de todos, os recursos existentes indispensaveis e garantir (...) que os individuos vivam com equidade e dignidade humana, em harmonioso mutialismo entre si e com a biosfera.


Como comenta Rufié, "a Hmanidade tem , neste momento os meios técnicos e materiais suficientes para saír da crise, só ainda não tem os meios políticos e morais", por certo porque não fez esforços adequados para os criar. A democracia tradicional procura garantir, o que nem sequer alcança , igualdade de opportunidade de acesso ao poder, quando priooritariamente deveria garantir a liberdade e a igualdade de oportunidades de acesso ao conhecimento, ao saber, ao trabaçlho util e á cultura. Ficámos pelo liberalismo darwinista."





M. Gomes Guerreiro


In O Homem, o Ambiente e a Paz




2 comentários:

Henrik disse...

Bom texto...infelizmente isso não é lá muito novo (o que é algo deprimente a meu ver) foi afirmado por Rosseau, por Mircea Eliade, Hannah Arendt e até por Agostinho da Silva. A relação entre a evolução tecnológica e a harmonia social foi e vai sendo debatida mas sem grandes resultados práticos até à data. Acusamo-los de utopia..acontece que efectivamente, em termos instrumentais há muito que possuímos os mecanismos para nos libertar do trabalho - pelo menos a um nível mais elaborado e que não requeira a simples sobrevivência - contudo é notório que não enveredamos por aí...e isso devia ser um motivo de vergonha..mas não é..e é triste...

bela lugosi`s dead disse...

Li o teu post atentamente, na verdade ele oscila entre o ideal e a realidade. O ideal romântico da igualdade, a realidade da existência de hierarquias e desigualdades. Se recorrermos à natureza, facilmente constataremos que em todos os animais sociais existem hierarquias, simplesmente não existe a manipulação de conceitos que nascem da angústia dos mais fracos e com menor acesso aos recursos disponíveis, ao contrário do que sucede com a espécie humana. Inclusivamente, se quisermos aprofundar um pouco mais este tipo de abordagem, veremos que a própria actividade produtiva assenta na diferenciação, através da especialização de funções, incompatível com a igualdade. A sociedade movimenta-se pela desigualdade, no entanto a existência de ideais como o da igualdade, cumprem uma função orientadora e paliativa numa ferida incurável, a da desigualdade imanente à existência da espécie humana. Pelo lado do consumo, ele é também uma ferramenta ao dispôr dessa desigualdade, através dele pretende-se mostrar algo e afirmar uma pertença ou uma não pertença, actualmente mais do que suprir necessidades primárias. Complicado...