domingo, 25 de março de 2007

Pensar a Politica









Muito se tem discorrido acerca do sur / ressurgimento de movimentos ideologicamente identificados com a extrema direita em Portugal. As ultimas noticias que correm remetem-se para uma espécie de frente a frente entre os movimentos de extrema esquerda ( alegadamente libertários ) e extrema direita ( alegadamente conservadores ) que teve como palco a faculade de letras da universidade de Lisboa.

Ao que parece foi constituída uma lista de candidatura para a associação de estudantes representada por elementos desta ala direita numa faculdade que a ala esquerda reclama , recorrendo a uma memória histórica que aparentemente lhes concede uma legitimidade assente personificação de um arauto de esquerda e não de direita.

Umas semanas antes em Santa Comba Dão as mesmas facções se recontraram torcendo por diferentes ideais no que respeita á eventual criação de um museu dedicado ao estadista que encabeçou o estado novo; António de Oliveira Salazar. Se de um lado se empunharam cravos vermelhos e se cantou “Grândola vila morena”, do outro se fizeram saudações romanas e se ouvio o hino nacional.


Pode dizer-se que estamos perante algo inédito na história portuguesa pos 25 de Abril. Nunca antes se sentio uma tão forte oposição face aos ideais edificados apartir dessa data. Gostaria, mais do que tecer comentários politicamente correctos acerca dos ditos cujos da extrema direita, questionar-me sobre a realidade subjacente pois acredito que as realidades devem de ser pensadas não só sobre o que está presente e visível mas igualmente no que subjaz aos fenómenos e isto tudo antes de colarmos de imediato autocolantes de vulgo nome “preconceito”, categoria do pensamento especialmente complicada para uma análise antropológica isenta.

Devemos antes de mais partir do princío de que todos os seres humnanos são dotados de pensamento critico e questionar-nos então sobre vários porquês, mais do que assentar o nosso pensamento e análise social de bens e valores que julgamos adquiridos tais como direitos hunanos que na realidade não passam de uma conquista ocidental de aplicação limitada e largamente teórica, ou operar com outros conceitos esteriótiopados como falta de consciência, educação, inteligencia e de bom senso da qual os referidos agentes seriam dotados para aderirem a semelhante ideologia.

É sabido que toda e qualquer ideologia se erige com base num sistema de pensamento onde determinados elementos se combinam com outros através de estruturas lógicas embora estes não tenham obrigatoriamente de assentar na realidade podendo ( como acontece na maioria se não em todas as ideologias humanas) assentar em mitificações da realidade, preconceitos e categorias organizadoras do pensamento que são mais do que representações dessa realidade e não a realidade ela própria.


Por isso mesmo acredito ser mais pertinente que em vez de nos convertermos ás fáceis e imediátas tecituras diabolizantes e ás tão politicamente correctas acusações a esses temiveis "monstros" nos debrucemos no que é realmente importante : a compreensão do porquê do seu seu ressurgimento, que passa ela própria pelo questionar de certos pontos tais como:

-- Porquê agora?
-- Quais as motivações?
-- Quais as realidades alternativas perseguidas
-- Quais as representações?
-- Quais os objectivos?
-- Quais os estimulos ambientais que despoletaram o despertar destes ideais submersos por toda uma ideologia do 25 de Abril de 74?
-- Será o mundo de hoje alimentado pelos mesmos paradigmas da revolução de 74? Quais os novos desafios que se lhe sobrepõem?
-- Porquê um aparecimento do mesmo tipo de fenómeno além fronteiras? Ou porquê o contágio deste alem fronteiras a Portugal?
-- Qual a legitimidade destas manifestações numa conjuntura poltica que se diz anti-censura e de pensamento livre?

4 comentários:

Darkness disse...

Os centros não sobrevivem sem extremos...os extremos são o medo que alimenta o poder...os extremos de hoje poderão ter sido os centros de ontem.

Sem medo haveria "temor" a "Deues"? sem medo alguém pagaria impostos?

No fundo não são extremos...são apenas a razão de ser do centro...são o medo.

Deus e o diabo...o bem e o mal...os bons e os maus...os índios e os cowboys.

bela lugosis dead disse...

Entrei com o Darkness...devia estar distraído...:)

sapiens disse...

Bah.. E eu a pensar que já tinhamos mais um leitor...Quão ingénua.
hihihi

Diogo MD disse...

Já têm um leitor :) Não posso dizer que assíduo e intensivo, pois só descobri o blog há poucos dias, mas que pelo menos não deixará de o visitar. Sou estudante de antropologia também, e tendo em conta que não encontro muitos espaços semelhantes dedicados à área este é uma mais valia.
Em relação ao post, levanta questões pertinentes, e ainda mais pertinentes depois da simbólica "vitória" de Salazar no insignificante programa da RTP. Acho que é por aí que devemos seguir, discutindo abertamente respostas para essas perguntas. Mas é preciso ter em conta que não se trata de um ressurgimento, pois a extrema-direita sempre esteve presente e esses combates "subterrâneos" também existiram sempre. A única diferença é que este ressurgimento agora é assinalado de forma mediática, o que não só lhes imprime mais força mas também permite trazer para a praça pública uma discussão tão importante como esta.
Até breve!