terça-feira, 13 de março de 2007

Levitic.... sexualis abominations
















As ciências humanas sempre estiveram sujeitas ás ingratas acusações de falta de objectividade e de capacidade de provar por A + B a veracidade de certas teorias. Isto acontece porque muita da matéria de estudo das ciências sociais e humanas é deveras etéria ou seja, encontra-se ao nível do simbolismo, do pensamento , da valorização , hierarquização e discursos não materializados mas que acabam por se concretizar em acções eventos e manifestações económicas, sociais e politicas. Existem no entanto certas subtilezas lógicas que nos permitem inferir com consideravel grau probabilístico a origem, fidelidade e objectividade de certas correlações e comportamentos.

A homosexualidade e a sua defesa por parte dos individuis homosexuais segue a mesma lógica que a dos indivíduos heterosexuais, tal como tenho podido apurar ao longo da minha (ainda muito curta pesquisa) , os indivíduos heterosexuais naturalizam e tentam externalizar esta naturalização de si e da sua orientação a todos os outros indivíduos pois sempre a sentiram em si como natural. Esta externalização e assumpção maioritária de cabimento de si na caixa categórica da maioria confere-lhes assim um estatuto de normalidade e de correcção emocional e orientativa naturalizada.

Acontece que, não obstante a constante anormalidade apelidada por estes ás orientações homo ou bisexuais, verificamos que, também os homosexuais , bisexuais e transgeneros afirmam com a mesma vemencia a naturalidade dos seus sentimentos , identidades e orientações sexuais uma vez que desde sempre sentiram em si essas orientações como fortes legitimas e naturais embora nunca tenham usufruído da grande caixa categórica conferidora de segurança e normalidade estatistica.

Não só as afirmações quanto á origem e naturalidade da orientação sexual/ identidade de género me parecem absolutamente paralelas ás dos indivíduos heterosexuais, como também os sentimentos , criações, discursos, escritos e descritos pelos individuos homo , bi e trangeneros parecem seguir a mesma linha ilustrando o mesmo tipo de sentimentos e emoções que encontramos nas relações heterosexuais maioritárias.

Aproveito a deixa para apresentar, tal como o fez “a” morte da Bela Lugosis,o meu trabalho de estágio a decorrer de momento.

Coube-me por glória ou infortúnio do destino a difícil mas sem duvida recompensadora tarefa de trabalhar com uma minoria da sociedade que luta actualmente pela equivalência de direitos face ao grupo maioritário. Essa maioria são os LGBT que inclui todo um conjunto de indivíduos, desde os mais activistas até aos menos votados a associativismos que partilham entre si a orientação sexual e/ou identidade de género divergente da maioria. Eles são as Lésbicas, Gays, bisexuais e trangeneros. O meu trabalho consistirá em estudar a existência de famílias homosexuais e da homoparentalidade inseridas num contexto da diversidade familiar pos-moderna mas também na sequencia das constantes lutas e reivindicações estatutárias e de direitos, legais e civis de um sub-grupo que se estima na sombra constituir entre os 5 e os 10% dos indivíduos da sociedade.

1 comentário:

bela lugosis dead disse...

Existe uma separação analítica, por isso funcional, que se torna necessária realizar. Quanto a mim, por exemplo no que concerne à questão da adopção de crianças por casais gays, essa separação deverá ser realizada relativamente ao papel social dos pais vs componente biológica da paternidade/maternidade, é aí que residerá toda a problemática no que concerne à aceitação legal de tais práticas. Os papeis dos actores socias estão em muitos aspectos definidos à partida...contrariá-los será ir contra a dinâmica social circunstancial e histórica (uma força bruta). No entanto as definições de situações e o desempenho dos papéis dos actores socias, são alterados muitas das vezes por "revolução". Como estabelecer a ponte entre um aspecto e o outro? O choque necessário...produzindo o menor número de baixas. Talvez um trabalho como o teu para começar.