sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Inteligencias Multiplas



Eis um texto interessante que gostaria de partilhar sobre a teoria das inteligências Múltiplas desenvolvida a partir da década de 80 por uma equipa de investigadores da universidade de Harvard, liderada pelo psicólogo Howard Gardener. O texto que apresento abaixo é um resumo dos princípios expostos inicialmente em Gardner, H. (1985). The Mind's New Science: A history of the cognitive revolution.

Gardener critica fundamentalmente a existência e a mensurabilidade de uma inteligência Única tal como a consideramos tradicionalmente:

A sua insatisfação com a ideia de QI e com visões unitárias de inteligência, fixadas sobretudo nas habilidades importantes para o sucesso escolar, levou Gardner a redefinir inteligência à luz das origens biológicas da habilidade para resolver problemas.

De acordo com a visão tradicional a inteligência foi conceptualizada como a capacidade de responder a testes de inteligência e o Q.I. (quociente de inteligência) procuraria demonstrar uma faculdade geral da inteligência que não mudaria muito com a idade, treino ou experiencia sendo considerada um atributo ou faculdade inata a cada ser humano.

Gardner procurou ampliar este conceito definindo inteligência como a capacidade de solucionar problemas ou elaborar produtos que são importantes em um determinado ambiente ou comunidade cultural: "um potencial biopsicológico para processar informações que pode ser activado num cenário cultural para solucionar problemas ou criar produtos que sejam valorizados numa cultura".


Para Gardner existem 3 tipos de preconceitos na sociedade actual que acabam por ter impacto nas vidas práticas dos individuos.


•O preconceito Ocidentalista: que coloca certos valores culturais ocidentais como o pensamento lógico num patamar hierárquico superior para a construção da inteligencia.

• o preconceito “Testista”: que sugere sugere uma focalização dos testes e da mensurabilidade daquelas habilidades que podem ser prontamente testadas como a realização de operações matemáticas.

• O preconceito “Melhorista”: assente na crença de que todas as respostas para um dado problema residem apenas numa determinada abordagem, como por exemplo no pensamento lógico-matemático.



Também idealista, o autor acredita que se pudéssemos mobilizar toda a gama das inteligências humanas e aliá-las a um sentido ético, talvez pudéssemos ajudar a aumentar a probabilidade da nossa sobrevivência neste planeta, e talvez inclusive contribuir para a nossa prosperidade.


Preocupando-se também e concretamente com aquelas crianças que não brilham nos testes padronizados, e que, consequentemente, tendem a ser consideradas como não tendo nenhum tipo de talento, Gardener Sugere um novo modelo de ensino e em certa medida um novo conceito de escola que assenta em algumas das seguintes suposições:


• Nem todas as pessoas terem os mesmos interesses e habilidades, nem aprendem da mesma maneira.

• Ninguém poder aprender tudo o que há para ser aprendido.

• A tarefa dos especialistas em avaliação deveria de ser a de tentar compreender as capacidades e interesses dos alunos de uma escola.

• A tarefa do agente de currículo para o aluno deveria de ser a de ajudar a combinar os perfis, objetivos e interesses dos alunos a determinados currículos e determinados estilos de aprendizagem.

• A tarefa do agente da escola-comunidade seria a de encontrar situações na
comunidade determinadas pelas opções não disponíveis na escola, para as
crianças que apresentam perfis cognitivos incomuns.







Desta forma , Gardener sugere a conceptualização de um modelo de ensino e de escola centrada no aluno em vez de deter uma centralização única e exclusivamente focalizada nos conteúdos programáticos unificados. Para a concretização da escola centrada no aluno seria necessário contrariar as enormes e actuais pressões para a uniformidade e para as avaliações unidimensionais.



Do meu ponto de vista, obviamente que uma escola centrada no aluno seria a forma de educação ideal para um melhor desenvolvimento pessoal de cada um de nós, no entanto é ao mesmo tempo a contra-ideia do plano de escola viavel para o modelo económico das nossas sociedades, e anti-ético no sentido da igualdade de oportunidades (e muitas vezes da idealizada mas irreal igualdade de aptidões e de "intelectos") dos cidadãos... no entanto perante tamanhas limitações resta-nos para já resignar-mo-nos perante a inexorável realidade;


"In large states public education will always be mediocre, for the same reason that in large kitchens the cooking is usually bad."

Friedrich Nietzsche

1 comentário:

bela lugosi`s dead disse...

Nem mais, na verdade a inteligência é basicamente a capacidade para manipular ferramentas cognitivas ou materiais, assim sendo e visto que tanto os paradigmas, como a própria cultura material se modificam ao longo dos tempos, é natural que os arquétipos de análise ou validação de inteligência, sejam extremamente vulneráveis,assim como as "inteligências" que visam analisar ou validar.