quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Pensamentos sobre Democracia e liberdade de expresão





Numa reflexão leiga, de quem pouco percebe de leis, tem-me surgido diante dos olhos a mais perfeita reprodução do nosso passado histórico ...sim, aquele que temos julgado morto e enterrado desde há uns anos a esta parte, pois é assim que somos ensinados a pensa-lo.

Cada vez mais considero imperiosa a educação para uma auto-consciencialização de todos os individuos, do seu lugar no mundo, e dos paradigmas que embora rejam enquanto ideias a sua organização mental não têm paralelo no mundo real.

O que quero eu dizer com isto? Ora, que embora estejamos habituados a pensar que vivemos num sistema político democrático a democracia está tão longe de ser uma realidade quanto estava no tempo dos reis e raínhas dos primeiros séculos da fundação deste país. Na verdade,e , como qualquer um de nós pode constactar, não nos distanciamos em quase nada de um sistema político análogo a uma monarquia constitucional, onde embora não exista a personagem magnificente de um rei, existe porém a camara dos lordes que legislam por todos aqueles que vão pondo ( por não ter outra alternativa )nas mãos deste não só o pão como também o luxo e o seu próprio poder de decisão... a camara dos comuns... bem, essa aparece de vez em quando quando a camara dos lordes decide fazer um referendo sobre um tópico que se lhes apresente favorável nas sondagens.

Os portugueses , tal como muitos outros do dito mundo ocidental encontram-se mais uma vez no vector que se afasta do centro do poder, mas, continuam a considerar que se aproximam dele.

Hoje, qualquer de nós é "coagido" a votar com base nos sofismas daqueles que, iludidos ainda defendem a bandeira de uma democracia que jamais existiu.

Mas, porque digo eu que nos afastamos cada vez mais do poder de decisão?
porque digo que cada vez mais nos está vedada a palavra e a acção?

Dois dos ultimos booms noticiosos são a evidencia clara do que digo.

Se a democracia é o poder do povo, quem consultou o povo acerca da libertação de presos condicionais e inclusivamente de criminosos?
Para além disto , quantos dos nossos concidadãos defendem a existencia de penas mais pesadas para os assassinos dos filhos da sua pátria?
Parece que ninguém consultou a população acerca do assunto... tomou-se antes a liberdade de legislar e implementar.

Acontece que, a camara dos lordes continua a legislar por todos nós sem nos consultarem as ideias.
E, quando ousamos levantar a voz e fazer uma ou outra pergunta "inconveniente" capazes são de nos amarrar as mãos e nos calar a boca com a fantástica tecnologia que vamos nós próprios inventando para "lhes" meter nas mãos.

2 comentários:

Henrik disse...

No que diz respeito à comparação entre a monarquia e a democracia há aí uns lapsos importantes, contudo, para a analogia que pretendes efectuar tem o seu efeito e portanto não vou divagar por aí.
Acontece o seguinte, ao estudar filosofia e os sistemas políticos que surgiram ao longo dos séculos, é claro a quem estuda que existem dois tipos de liberdade de planos diferentes: a liberdade de que se fala nos livros e se ensina às crianças - muitas vezes nós próprios - que é uma realidade que devemos atingir e por outro lado a liberdade política. A primeira é quase inconcebível sem a noção de estarmos condicionados «aprisionados» desde o início. A segunda exige que as nossas liberdades sejam na totalidade desconhecidas, isto porque não controlamos efectivamente os poderes de acção, os poderes são delegados e por isso são atribuídos a outras pessoas que serve, para nos representar. O sistema teórico tem falhas claras, mas não é novidade que a democracia não só não é perfeita como as suas falhas são muito importantes (graves) contudo, não acredito, por enquanto, haver um sistema melhor, que funcione melhor, isto significa que temos que ter consciência de que a democracia deu um passo em frente na construção de um sistema social que seja mais eficaz, porém não está de longe ainda completo, e provavelmente durará muitíssimo tempo até que um sistema mais eficaz surja.

bela lugosi`s dead disse...

entendo...mas...
"Se a democracia é o poder do povo", não pertencerão os criminosos ao povo? Os juízes? os legisladores?
Acho que a questão reside em que o povo não existe (a existir será tudo aquilo que não conseguimos nominar em concreto), então e democracia existirá se é a voz do povo? hum...Liberdade...o henrik já disse algo de importante sobre ela, mas existirá? A resposta depende sempre de quem a dá, pois será "livre" de expressar o contexto em que se socializou e educou...isso é liberdade? Nada disso existe, ou melhor...existe sob múltiplas formas.Não existir será pois uma forma de existir, assim como não decidir uma forma de decidir. Continuamos sempre entre aquilo que é melhor e pior, entre os centros de poder, entre os mais ricos e os mais pobres...entre o 8 e o 80, entre a depressão e a euforia...entre...entre...entre...a democracia e a liberdade de expressão legislada...entre o hamburger e o cozido à portuguesa, entre o sonho e o acordar, entre a vida e a morte, entre o colchão e o lençol. Esqueci-me do que ia a escrever agora, também já é um pouco tarde. Abraços ao people.