quarta-feira, 16 de abril de 2008

Gisberta num mundo de justiça hetero

Um ser humano como outro qualquer, sensível à dor, à tortura, provavelmente à ausência de familiares, porém travesti numa sociedade de justiça hetero. Um ser humano brutalizado e antes de definhar, violado na sua consciência íntima por uma humilhação que, apenas encontrou limite, numa morte solitária no fundo de um buraco enlameado. Por sentença transitada em julgado de menores, os responsáveis são condenados a penas que oscilam entre os 6 e os 13 meses, ao que julgo saber em "casas de correcção", de onde alguns já eram provenientes (ou até todos). A relação com "o outro", com o diferente, encontra aqui mais um dos seus fundamentos, a própria oposição negativa da justiça e o carácter contraditorio dos seus valores. Estranho neste momento, que o Sr. ministro da agricultura não venha anunciar publicamente e de forma mediática, um despacho prevendo a esterilização de quem cometeu esse crime, que na escala criminológica parecem constar como não sendo "potencialmente perigosos". Este facto demonstra a ambivalência do mundo em que vivemos e em que sempre se viveu, o carácter relativo da justiça e do valor da vida humana, em suma o conteúdo mutante e extremamente manipulativo das sociedades humanas.

5 comentários:

Henrik disse...

Idem, ao meu texto anterior, na realidade são as organizações e hierarquizações (pessoalmente chamo-lhes catalogações) sociais que estão em causa, e não, somente, o país que as pratica.

bela lugosi`s dead disse...

Sem dúvida, se algo existe de universal nisto tudo, é o padrão de acção da catalogação/classificação, sendo que a partir daí se erguem as desigualdades sociais que emergem das diferenciações subjectivas de quem olha e que atingem o patamar de consenso social. Com o consenso surge a cultura, com a cultura a civilização e na maior parte das vezes a desumanização. No fundo o consenso é o domínio de algo produzido e disseminado por alguns, domínio é poder e o poder não é agradável de se perder, pelo que daí à desumanização falta muito pouco ou nada.

Henrik disse...

Eu já escrevi no meu blog que é urgente procurar a humanidade do humano....mas temo por vezes que essa humanidade seja desumana...

sapiens disse...

Resultados de falta de educação, não no sentido popular do comum uso do termo, mas a falta de uma educação que a sociedade no seu todo não veicula e não pode proporcionar ás novas gerações porque ela própria não a cultiva.
A mudança de um ciclo de preconceito e de ausencia de reflexão e de relatividade para um lugar de reflexão critica, racional, lógica e sobretudo Antropológica sobre a existencia humana tarda em chegar.

Renan Reis disse...

interessante a sua reflexão!