domingo, 30 de setembro de 2007

Quem é e o que pode fazer um Antropologo?

Um antropólogo é alguém por via da sua formação académica:



• Adquire Conhecimentos sobre factores biológicos, ecológicos e culturais que influenciam o comportamento humano.

• Adquire capacidades para a pesquisa social em termos qualitativos como a realização de entrevistas no terreno bem como para operar com métodos quantitativos.

• Detém aptidões para resolver problemas científicos

• Detém pensamento lógico e analítico

• Desenvolve aproximações teóricas e utiliza métodos práticos

• Escreve artigos e relatórios

• É capaz de redigir propostas para aquisição de fundos de investigação

• Trabalha eticamente

• Pensa criativamente

• É capaz de planear projectos

• É capaz de recolher e organizar e dados bem como de difundir informação

• É capaz de reconhecer as diferenças bem como as similitudes culturais

• Detém conhecimentos sobre grupos étnicos e sobre muitas culturas de outros países


Um antropólogo pode desempenhar funções como as de:

• Conservador de arte
• Assistente de arquivista
• Analista em ciências sociais
• Jornalista
• Professor
• Desempenhar trabalho de campo arqueológico
• Psicólogo industrial
• Responsável por recursos humanos
• Investigador
• Antropólogo
• Investigador na área do marketing
• Analista politico
• Especialista em património e artefactos culturais
• Assistente social
• Conservação e restauro
• Etnólogo
• Linguista
• Paleontólogo
• Curador de museus
• Antropólogo forense
• Trabalhador na área dos negócios estrangeiros



Pode ainda trabalhar em:


• Empresas de consultadoria
• Agencias culturais
• Instituições Educacionais
• Agencias Ambientais
• Agencias de ajuda internacional
• Gabinetes legais
• Bibliotecas
• Gabinetes de preservação histórica
• Agencias de advocacia para minorias populacionais
• Centros médicos
• Museus
• Parques nacionais
• Organizações sem fins lucrativos
• Laboratórios de antropologia física
• Corporações privadas
• Editoras
• Serviços sociais em geral


... pode ser que seja util :)

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

O estado

Na verdade parece-me que o sistema democrático acaba por ter pelo menos uma coisa de positivo, a saber: a total irresponsabilização dos cidadãos face ao estado do país, que assim dormem um pouco melhor por terem algo de abstracto para onde direccionar a sua impulsividade culpabilizante: o estado, esquecendo que na verdade o estado somos todos nós, actualizado em práticas e discursos ritualizados, visíveis não só no preço dos transportes, mas também no comportamento diário dos seus utilizadores. Não é difícil ouvir portugueses de classe social e capital intelectual não convergentes, dizerem exactamente o mesmo, num qualquer café de esquina. Os que não frequentam cafés, di-lo-ão ao assistir a um jogo de futebol, enquanto chamam filho da puta ao àrbitro ou então, enquanto como pano de fundo ouvem Marilyn Mason (beautiful people, por exemplo). Por outro lado, jamais como indíviduo eu me sentirei confortável ao colocar as questões como superioridade ou inferioridade civilizacional (a verdadeira civilização). A verdade é que o ideal democrático dos democratas, reside em que este sistema coloque o mundo e seus agentes de forma plasticamente moldável aos seus anseios e aspirações. Mais uma vez a questão de se partir da forma para a matéria, do estado democrático, esquecendo as práticas das pessoas que o constituem, conformando inequivocamente a sua ontologia circunstancial. Nunca haverá democracia, nem justiça, simplesmente porque são criação humana historicamente fabricada e não ideias com existência em si mesmas. Por tudo o que disse, creio ser evidente que partilho nalguns aspectos, os pontos assinalados como errados em Portugal, simplesmente não me excluo da sua existência. Em Portugal só um parvo vai para a política de top, recebe mal e arrisca-se a ser enxovalhado por uma multidão furiosa que acha que o poder políco e os valores que o conformam, são completamente alheios às suas próprias práticas. Não se esqueçam que nos E.U.A. o paradigma civilizacional máximo, na perspectiva de muitos dos que insistem em ver as coisas por este prisma, a democracia atinge o seu pleno quando se procede a uma acusação com deferimento judicial, que constitui como arguido DEUS, responsabilizando-o por todas as catástrofes terrenas. Outra também muito engraçada, uma senhora que processa o fabricante de micro ondas, porque após dar banho ao gato decidiu secá-lo nesse aparelho. O juís desse processo, não só aceitou a queixa, como condenou o fabricante por nas instruções não referir que não podia utilizar-se o micro ondas para secar gatitos molhados.

Lobbies, Monopolios e qualidade de vida




Falando de monopólios...
Gostaria de tornar publico que, no concelho de cascais existe o monopólio de transportes publicos rodoviários servido pela empresa Scott Urb, onde, se eu quiser comprar um bilhete dentro do autocarro para fazer duas paragens tenho de pagar a módica quantia de 1,70€ (340 escudos)... mesmo ao lado , no concelho de oeiras, posso fazer as mesmas duas paragens com um bilhete comprado numa camioneta da Vimeca, uma das várias empresas que servem o concelho, por apenas 0,70€ (140 escudos)...
enfim.. pormenores.

Relativamente aos restantes lobbies, "maroskas" e exclusividadezinhas negociais que minam este país, não posso deixar de os considerar os verdadeiros responsaveis pela nossa progressiva perda de qualidade de vida.

O urbanismo , é,para além dos assaltos diários a que estamos sujeitos por parte destas empresazinhas (ás quais juntamente com as administrações locais podemos chamar de máfias organizadas), um outro elemento que em muito faz decrescer a qualidade de vida dos protugueses.

Há dias numa localidade do sul do país a população queixava-se de que apos ter cedido parte dos terrenos privados para a construção de uma estrada, a camara estava a fazer o favor de os vender a privados reduzindo a via publica a um belo exemplar de ruela medieval... e assim vai o nosso país... para quem quiser ver mais atrocidades vizite o cacém... e depois claro, dê um saltinho a um país verdadeiramente civilizado, só para comparar...

Portugal está a caminhar a uma velocidade exponencial para os padrõezinhos de vida do governo de Salazar. Os sinais são amplos e claros e o mais evidente é o insuportável que está a tornar-se viver num país onde o salário minimo é aquilo que necessitamos só para pagar a renda da casa (com a acrescida incerteza de que para o ano que vem esta quantia ainda será suficiente)... o dinheiro para comer ou mesmo investir deverá claro (segundo as ideias dos senhores do governo) de ser solicitado aos milionários bancos de crédito ao consumo, engordando as bolsas dos seus empresários. Para além disto e ainda como sinal do decréscimo dos padrões de qualidade de vida, a emigração alcança hoje numeros impares desde o 25 de Abril... penso que isto terá que querer dizer alguma coisa e os culpados são apenas uns.. os senhores que governam o nosso país.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Pensamentos sobre Democracia e liberdade de expresão





Numa reflexão leiga, de quem pouco percebe de leis, tem-me surgido diante dos olhos a mais perfeita reprodução do nosso passado histórico ...sim, aquele que temos julgado morto e enterrado desde há uns anos a esta parte, pois é assim que somos ensinados a pensa-lo.

Cada vez mais considero imperiosa a educação para uma auto-consciencialização de todos os individuos, do seu lugar no mundo, e dos paradigmas que embora rejam enquanto ideias a sua organização mental não têm paralelo no mundo real.

O que quero eu dizer com isto? Ora, que embora estejamos habituados a pensar que vivemos num sistema político democrático a democracia está tão longe de ser uma realidade quanto estava no tempo dos reis e raínhas dos primeiros séculos da fundação deste país. Na verdade,e , como qualquer um de nós pode constactar, não nos distanciamos em quase nada de um sistema político análogo a uma monarquia constitucional, onde embora não exista a personagem magnificente de um rei, existe porém a camara dos lordes que legislam por todos aqueles que vão pondo ( por não ter outra alternativa )nas mãos deste não só o pão como também o luxo e o seu próprio poder de decisão... a camara dos comuns... bem, essa aparece de vez em quando quando a camara dos lordes decide fazer um referendo sobre um tópico que se lhes apresente favorável nas sondagens.

Os portugueses , tal como muitos outros do dito mundo ocidental encontram-se mais uma vez no vector que se afasta do centro do poder, mas, continuam a considerar que se aproximam dele.

Hoje, qualquer de nós é "coagido" a votar com base nos sofismas daqueles que, iludidos ainda defendem a bandeira de uma democracia que jamais existiu.

Mas, porque digo eu que nos afastamos cada vez mais do poder de decisão?
porque digo que cada vez mais nos está vedada a palavra e a acção?

Dois dos ultimos booms noticiosos são a evidencia clara do que digo.

Se a democracia é o poder do povo, quem consultou o povo acerca da libertação de presos condicionais e inclusivamente de criminosos?
Para além disto , quantos dos nossos concidadãos defendem a existencia de penas mais pesadas para os assassinos dos filhos da sua pátria?
Parece que ninguém consultou a população acerca do assunto... tomou-se antes a liberdade de legislar e implementar.

Acontece que, a camara dos lordes continua a legislar por todos nós sem nos consultarem as ideias.
E, quando ousamos levantar a voz e fazer uma ou outra pergunta "inconveniente" capazes são de nos amarrar as mãos e nos calar a boca com a fantástica tecnologia que vamos nós próprios inventando para "lhes" meter nas mãos.

Sinais de presença humana de há 300 mil anos descobertos em Portugal

Arqueólogos de vários países identificaram no sítio arqueológico da Ribeira da Atalaia, Vila Nova da Barquinha, o que podem ser os mais antigos vestígios de ocupações do Paleolítico Inferior datados até hoje em Portugal.

Na escavação, realizada este ano pela equipa internacional envolvida, desde 1999, no projecto Tempoar, Território, Mobilidade e Povoamento do Alto Ribatejo, foram pela primeira vez confirmados sinais de presença humana de há 300 mil anos, disse à agência Lusa Sara Cura, do Museu de Arte Pré-Histórica de Mação.

O sítio da Ribeira da Atalaia, ainda pouco conhecido em Portugal, tem vindo a ser escavado no âmbito do Tempoar, projecto que visa estudar o comportamento dos seres humanos que ocuparam o vale do Tejo na Pré-História e compreender como ocuparam o território, bem como a sua capacidade em gerir os seus recursos e a tecnologia utilizada, afirmou.

Sara Cura disse à Lusa que se pode afirmar com segurança que este é o sítio arqueológico em Portugal com uma datação absoluta mais antiga. Para a arqueóloga, constitui caso raro o facto de, num local ao ar livre, se encontrarem vestígios que vão do homem de Neandertal (300 mil anos) ao homem Moderno (24 mil anos), numa continuidade de presença difícil de encontrar. Além da datação segura da presença humana no local, conseguida graças ao estudo dos depósitos do rio Tejo, que permitiu saber a idade das indústrias, e a equipamentos sofisticados do Instituto Nuclear, os investigadores conseguiram identificar uma estrutura de combustão, uma fogueira, o que, disse, “é extremamente raro”. O projecto tem dado uma atenção especial à transição de uma economia baseada na caça e recolecção para a agricultura e pastorícia, processo iniciado há cerca de 7.500 anos, adiantou. Este projecto de investigação interdisciplinar tem juntado dezenas de investigadores de diversas nacionalidades, bem como estudantes do Mestrado de Arqueologia que o Instituto Politécnico de Tomar (IPT) desenvolve em parceria com a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e de outras instituições.

Para Sara Cura, o potencial arqueológico deste sítio está longe de estar esgotado, uma vez que os testemunhos associados ao homem de Neandertal só começaram a ser estudados em 2006. Por outro lado, o local tem servido como “escavação-escola”, acolhendo todos os anos estudantes de toda a Europa, em particular da Universidade de Trento (Itália), com a qual está estabelecido um protocolo de estágio, bem como dos investigadores de vários países que frequentam o Mestrado do IPT/UTAD em Mação. O projecto é coordenado por Luiz Oosterbeek em colaboração com Pierluigi Rosina, docentes do IPT, Sara Cura, do Museu de Arte Pré-Histórica de Mação, José Gomes, do Centro de Arqueologia de Vila Nova da Barquinha e do IPT, e Stefano Grimaldi, professor da Universidade de Trento.

in JN de 3/9/2007

Fósseis de hominídeos mais antigos na Europa

Ossos têm sinais de modernidade e primitivismo

Um crânio e esqueletos parciais de três adultos e um adolescente que viveram há 1,77 milhões de anos foram descobertos em Dmanissi, na Geórgia, o que faz deles os fósseis de hominídeos mais antigos encontrados até hoje fora de África.

Como se não bastasse o recorde, os restos fossilizados, que estão bem preservados, de acordo com os cientistas, mostram ainda uma série de características a um tempo primitivas e modernas, que é “surpreendente”, e que traz novas peças ao puzzle da evolução humana.

Isso é, pelo menos, o que garante na edição de hoje da Nature o grupo de investigadores liderado por David Lordkipanidze, do museu nacional da Geórgia, que estudou o achado.

Os fósseis encontrados em Dmanissi, a 85 km a sudoeste de Tbilissi, a capital daquele república do Cáucaso, apresentam uma curiosa mistura de características primitivas e modernas. Entre as primeiras contam-se a altura dos indivíduos, entre 1,45 e 1,66 metros, um cérebro pequeno, entre 560 e 632 gramas, idêntica à massa cerebral de um australopiteco (anterior a estes, já que viveu entre há quatro e dois milhões de anos) e a ausência de torção do úmero (osso do braço), o que fazia com que tivesse as palmas das mão voltadas para a frente. As suas características modernas são, por exemplo, as proporções corporais quase idênticas, justamente, às do homem moderno.

Estes aspectos juntos fazem pensar, dizem os cientistas, em características de Homo habilis e Homo erectus (o segundo tendo sucedido ao primeiro no tempo) e na possibilidade de a história desta evolução ser afinal mais complexa, como o estudo de outro achado recente ocorrido no Quénia, e publicado também na Nature, já havia avançado.

Num comentário ao artigo de Lordkipanidze e sua equipa, publicado nesta mesma edição da Nature, Daniel Lieberman, antropólogo de Harvard, coloca justamente esta questão, ao afirmar que os fósseis descobertos em Dmanissi “parecem pertencer ao Homo erectus em muitos aspectos”, mas a sua variabilidade, que indica “uma estatura mais próxima do habilis do que do erectus”, reflectem, assim, “a natureza transitória e variável dos primeiros Homo”.

in DN 19-09-2007

sábado, 15 de setembro de 2007

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Só para recordar os velhinhos anos noventa




"Where Did You Sleep Last Night," também conhecida como "In The Pines" e "Black Girl," é uma musica tradicional Americana. Pensa-se que terá aparecido que terá aparecido por volta de 1870 mas desconhece-se o autor original. Não obstante a musica foi já gravada dezenas de vezes e interpretada nos mais diversos géneros musicais. A primeira vez que se tornou popular foi pela vóz de Lead Belly em 1944 e em 1952 por Bill Monroe num estilo mais country e blues. Em 1993 foi interpretada numa versão acustica pelo grupo Grunge Nirvana, altura em finalmente correu mundo, no final do século XX.

* A versão que vemos no anuncio não é interpretada pelos nirvana

terça-feira, 11 de setembro de 2007

UE a duas velocidades



Pib per capita



Ontem dei comigo a pensar na utilidade de "saír de casa"... não, não me refiro á mais comum das utilizações do termo mas sim á prática antropológica que faz com que se torne mais facil compreendermo-nos a nos mesmos apenas por observar o outro.

Viajar é sem duvida um poderoso instrumento para pensar a nossa sociedade.
Ao saír durante uns tempos do meu país deparei-me com esta observação que parece apenas amplificar a ambrangencia da teoria sociológica das desigualdades e da "Des"coesão social.

Comparemos então a União Europeia a uma sociedade, a uma cidade ou a um unico país. Neste "país" temos aqueles que sao mais ricos, os Alemães, os Dinamarquêses, suíços, luxemburgueses, Ingleses entre outros (como os Norueguêses que de tão ricos nem quiseram aderir á união), e, claro, temos também os mais pobres nos quais nos incluimos a par dos nossos vizinhos de suburbio como gregos, malteses, Estónios, Lituanos entre outros.

Reparei ao saír do meu país que, nos países mais ricos do que o nosso os preços dos bens de consumo não são muito distintos dos nossos, mas sei que os seus ordenados são muito mais elevados. Situações como esta, como já avancei atras lembram-me as teorias sociológicas que se esboçaram ao longo dos anos para explicar a pobreza e a violencia associadas ao roubo e ao vandalismo nas cidades. As explicações mais simples explicam-nos sintéticamente que em situações de grande disparidade salarial alguns individuos auferem muito mais do que outros. No mercado, os bens aparecem aos olhos de todos como associados a um certo prestigio e são reconhecidos pelos membros da sociedade, independentemente do seu estrato social e económico como possuidores e conferidores a quem os usa de determinadas "virtudes". Essas virtudes, assentes na base do sistema moral das sociedades são ambicionadas por todos o que faz automáticamente subir os preços dos productos de forma a que só alguns os possam adquirir no mercado.

Obviamente que os países mais pobres não partirão para a a violencia para adquirir ou mesmo desturir os bens ou a qualidade de vida que os restantes membros da União detêm, no entanto a teoria da frustração parece aplicar-se como uma luva aos portugueses que vivem actualmente num mercado que não está feito para as suas bolsas.

Os portugueses vivem rodeados de ideais e de convites e solicitações que infelizmente não podem aceitar. No entanto sentimo-nos parte, sim, somos membros, partilhamos das mesmas virtudes, espelhamo-las nos mesmos objectos, nas mesmas estéticas e nos mesmos gostos...e no entanto... não temos capital que nos permita igualarmos os modelos que nos vendem.

Talvez apartir daqui se possam começar a compreender alguns dos fenómenos relacionados com o endividamento das famílias e com a aparente iracionalidade de quem descura no almoço para comprar uns sapatos de marca...



sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Clash of Civilizations? - Para pensar

Sobre o Autismo


Clicar na imagem para aumentar


Já que somos um "bicho" social, deixo-vos o link para um pequeno teste onde podem medir o vosso grau de autismo


cliquem aqui para começar.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Pensamento do Dia



Eu como política ao pequeno almoço.


É a política que faz com que o meu pequeno almoço seja consideravelmente diferente de o de um senegalês.

A primeira formulaçao freudiana sobre o complexo de édipo



“Acorreu-me ao espírito uma única idéia, de valor geral. Encontrei em mim, como em todo lugar, sentimentos de amor para com minha mãe e de ciúme para com meu pai, sentimentos que são, acho eu, comuns a todas as crianças pequenas, mesmo quando seu aparecimento não é tão precoce como nas crianças que se tornaram histéricas (de uma forma análoga à da romantização original nos paranóicos, heróis e fundadores de religiões). Se isso for assim, pode-se compreender, apesar de todas as objeções racionais que se opõem à hipótese de uma fatalidade inexorável, o efeito percebido em ‘Édipo rei’. Também se pode compreender por que todos os dramas mais recentes do destino deveriam acabar miseravelmente...mas a lenda grega percebeu uma compulsão que todos reconhecem, pois todos a”. sentiram. Cada ouvinte foi, um dia, em germe, em imaginação, um Édipo, e espanta-se diante da realização de seu sonho, transportado para a realidade, estremecendo conforme o tamanho do recalcamento que separa seu estado infantil de seu estado atual”.


Carta a Fliess de 15 de outubro de 1897


segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Sinais de presença humana de há 300 mil anos descobertos em Portugal

Arqueólogos de vários países identificaram no sítio arqueológico da Ribeira da Atalaia, Vila Nova da Barquinha, o que podem ser os mais antigos vestígios de ocupações do Paleolítico Inferior datados até hoje em Portugal.

Na escavação, realizada este ano pela equipa internacional envolvida, desde 1999, no projecto Tempoar, Território, Mobilidade e Povoamento do Alto Ribatejo, foram pela primeira vez confirmados sinais de presença humana de há 300 mil anos, disse à agência Lusa Sara Cura, do Museu de Arte Pré-Histórica de Mação.
O sítio da Ribeira da Atalaia, ainda pouco conhecido em Portugal, tem vindo a ser escavado no âmbito do Tempoar, projecto que visa estudar o comportamento dos seres humanos que ocuparam o vale do Tejo na Pré-História e compreender como ocuparam o território, bem como a sua capacidade em gerir os seus recursos e a tecnologia utilizada, afirmou.
Sara Cura disse à Lusa que se pode afirmar com segurança que este é o sítio arqueológico em Portugal com uma datação absoluta mais antiga. Para a arqueóloga, constitui caso raro o facto de, num local ao ar livre, se encontrarem vestígios que vão do homem de Neandertal (300 mil anos) ao homem Moderno (24 mil anos), numa continuidade de presença difícil de encontrar. Além da datação segura da presença humana no local, conseguida graças ao estudo dos depósitos do rio Tejo, que permitiu saber a idade das indústrias, e a equipamentos sofisticados do Instituto Nuclear, os investigadores conseguiram identificar uma estrutura de combustão, uma fogueira, o que, disse, "é extremamente raro". O projecto tem dado uma atenção especial à transição de uma economia baseada na caça e recolecção para a agricultura e pastorícia, processo iniciado há cerca de 7.500 anos, adiantou. Este projecto de investigação interdisciplinar tem juntado dezenas de investigadores de diversas nacionalidades, bem como estudantes do Mestrado de Arqueologia que o Instituto Politécnico de Tomar (IPT) desenvolve em parceria com a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e de outras instituições.
Para Sara Cura, o potencial arqueológico deste sítio está longe de estar esgotado, uma vez que os testemunhos associados ao homem de Neandertal só começaram a ser estudados em 2006. Por outro lado, o local tem servido como "escavação-escola", acolhendo todos os anos estudantes de toda a Europa, em particular da Universidade de Trento (Itália), com a qual está estabelecido um protocolo de estágio, bem como dos investigadores de vários países que frequentam o Mestrado do IPT/UTAD em Mação. O projecto é coordenado por Luiz Oosterbeek em colaboração com Pierluigi Rosina, docentes do IPT, Sara Cura, do Museu de Arte Pré-Histórica de Mação, José Gomes, do Centro de Arqueologia de Vila Nova da Barquinha e do IPT, e Stefano Grimaldi, professor da Universidade de Trento.

sábado, 1 de setembro de 2007

O meu primeiro contacto com Deus



Não... este não é nenhum post religioso na sua essencia, nem eu me converti a uma dessas tão carismáticas igrejas evangélicas, no entanto tive uma experiencia curiosa nas ultimas férias que me fez repensar o conceito de Deus e a sua "utilidade".

Cumprindo ainda a promessa de me referir ás coisas menos boas da Suécia começo por relatar o meu primeiro grande trambolhão no desconhecimento das práticas da "casa".

Chegada á cidade de Gotemburgo: 22h. feliz temperatura de 14 ou 15 graus centigrados (um milagre); Establecimentos comerciais fechados, excepto as tradicionais lojas de conveniencia. Sentámo-nos esperando a chegada do Autocarro para o qual tinhamos no bolso o bilhete pré comprado via Internet. O dito cujo passaria ás 3h da madrugada, hora pela qual esperámos pacientemente. Entretanto, chegada a 1h da manhã são mandados fechar os portões da estação dos comboios que nos havia abrigado e fomos convidadeos a fazer tempo até ás 3 no agora "fresquinho"da noite suéca ... Quando se aproximou a hora prevista, rumamos ao terminal e esperamos pelo autocarro. Este terminal estava deserto, nem um sinal , nem uma informação , nem um mapa onde pudessemos confirmar as horas ou sequer as rotas da carreira... apenas um numero de telefone cheio de indicativos tao estranhos quanto a estranheza de se estar fora de casa. um pouco antes das 3 um autocarro para no terminal acusando rumar a copenhaga, capital da Dinamarca. Deixámo-lo partir e minutos depois quase davamos cabeçadas no alcatrão por não nos termos enfiado dentro do mesmo... sim, era aquele autocarro pelo qual haviamos esperado a noite toda, antes de chegar a copenhaga pararia em Malmo, local onde apanhariamos o Bus seguinte para o nosso destino. E logo agora que noite esta que havia arrefecido espantosamente ...

Apos a negação vem a aceitação e lá começámos a esboçar uma alternativa para saír da estação ... episódio que se revelou uma autentica saga digna de constituir o numero dois do Terminal de aeroporto protagonizado por Tom Hanks...

Felizmente, apenas uma hora depois da desgraça reabrem as portas da estação e pudémos usufruir da subida de alguns graus oferecida pelo abrigo enquanto decidiamos o plano B. Este constituia na compra de uma passagem de comboio... o pesadelo primeiro foi compreender qual seria o que passava na cidade para a qual nos dirigiamos, a cerca de 300 Km dali (eta tarefa torna-se verdadeiramente complicada quando tudo está escrito em suéco e não existem icones, mapas, ou desenhos que nos ajudem a compreender as rotas)... quando finalmente realizamos o percurso, restava-nos a parte "mais facil" : a compra dos bilhetes para a nossa viágem que teria inicio ás 6:55 da manhã. Revistámos todas as bilheteiras e nenhuma abria antes da hora da nossa partida. Constatámos também que os suécos não parecem conhecer o conceito de bilheteira com moedas... assim de nada nos serviam as kronas que tinhamos na carteira. O unico mecanismo de pagamento nas bilheteiras automáticas éra cartão... felizmente tinhamos conosco um mastercard... que claro, para piorar as coisas não funcionava de momento (viémos a confirmar mais tarde que havia sido uma falha temporária nos sistemas de comunicação com o banco)... assim não nos restavam muitas hipoteses se não a de pedir a alguém que generosamente nos quisesse comprar os bilhetes (caríssimos , como já havia referido no anterior post) com o seu próprio cartão que nos pagariamos o correspondente em dinheiro vivo...

É aqui então que entra a questão de Deus... provavelmente inventada na minha cabeça, mas a qual fez algum sentido neste momento de aflição...

10 minutos para a partida do nosso comboio e ainda não haviamos conseguido com que algém nos fizesse esse favor... eram várias as desculpas que nós próprios reproduziriamos provavelmente no lugar dessas mesmas pessoas (motivo pelo qual não as censuro) ...


Pouco mais de 5 minutos para a partida do nosso comboio e o desespero começava a apertar.. estavamos a ver-nos presos alí para sempre até que me dirijo já desesperadamente a um rapaz com traços sul orientais... Sinceramente não sei se seria indiano ou medio oriental, apenas sei que a sua resposta á minha solicitação foi inequivoca e espontaneamente diferente. Nas respostas negativas que havia ouvido antes confirmei a existencia da fracção de segundo necessária para esboçar uma mentira de "desenrasque", e a resposta deste rapaz revelou-se mais rapida e surpreendentemente positiva.

-- Yes, thats ok , I do it for you! No problem.

Já não me recordo se o meu coração acelerou com a surpreza, se diminuio com a sensação do "uff estamos salvos"...

A verdade é que dois minutos depois estavamos dentro do comboio com os nossos bilhetes. E, a justificação que provavelmente "inventei", ou quem sabe esboçei num acaso acertivo é que provavelmente uma resposta espontanea e positiva deste tipo poderá ter sido pré programada por uma ética moral de carácter religioso. (passo pré-conceito de associar tes e traços étnicos a religiões em concreto... foi neste momento uma questão pragmática)

Tive a oportunidade de conhecer virtualmente muitos muçulmanos, e , não obstante alguns traços que insisto "irracionalmente" em criticar, um elemento inegavel do seu ethos religioso é o de ajudar o próximo. Trata-se de uma práxis algo instantanea ajudar alguém em apuros e rejeitar o individualismo egoista e quase puramente capitalista no qual estão assentes as sociedades ocidentais.

Imagino que terá sido o que se passou naquele momento, e que talvez tenhamos sido ajudados por Deus, não pelo nosso, mas sim pelo Deus do outro....

Nunca saberei, mas tenho um certo gosto em acreditar que é verdade :)



Feira de Santana




Feira de Santana, uma cidade do estado da bahia, adquiriu essa designação por ser anteriormente e na sua génese uma feira de gado. Está situada a
89 km de Salvador. Auto - denominada rainha do sertão(não liguem à data da foto).














O colorido é evidente, o jumento (burro) tornou-se agora um animal desnecessário e é abandonado nas estradas (existem equipas de recolha que depois os transportam para instalações criadas para o efeito. Os donos nunca os vão buscar. O mesmo não acontece com cabeças de gado perdidas, o sector criado para a sua recolha está sempre vazio). Os burros foram substituídos pelas motos e são já utilizados como emblemas da "tradição".





























Na foto em cima pode ler-se na tarja: " A cultura de um povo é a sua identidade". A necessidade de alimento não pragmático que mantenha a auto-estima de grupo a níveis que permitam a sobrevivência.
Muita festa sempre, em cada esquina um bar ou um carro com colunas potentíssimas, passando música brega















A antítese daquilo que julgo ser a aparente organização Sueca.
As Baianas.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Back from Sweden



Aproveitando a boleia da relatividade cultural trazida para o blog pelas viagens do Bela Lughosis, trago também algumas novidades relativamente á minha viagem á Suécia. Contrariamente ao colega rumei a um país concebido internacionalmente como um dos mais desenvolvidos, ricos e civilizados quer da Europa , quer do Mundo e, de facto, na minha experiencia pessoal deparei-me com diferenças gritantes relativamente ao meu próprio país presentes nas práticas diárias dos seus habitantes.

O Ethos do povo Suéco, é, pelo menos á primeira vista, de uma responsabilidade civica e individual impar. Na Suécia quase todos andam de bicicleta, actividade que é facilitada pela planitude geográfica, no entanto, a maioria dos seus habitantes não necessita ainda de colocar cadeados nas mesmas, embora também me tenham dito que esta prática tinha vindo a aumentar... Sinais dos tempos... as suas casas, construidas maioritáriamente por madeira ainda não conhecem grades nas janelas e muitas delas nem tão pouco possuem portões ou muros. O respeito pelos espaços privados é um dado adquirido na cultura nativa.

Relativamente aos transportes, aos quais tive de recorrer frequentemente para me deslocar, notei duas diferenças fundamentais relativamente aos do meu país, a primeira é que a densidade populacional dentro dos mesmos é baixissima, o que claro, faz aumentar exponencialmente os custos, mas que por outro lado permite uma conservação e actualização dos mesmos que se afasta em todos os pontos e mais alguns dos "chaços" da carris. O outro aspecto a destacar é a velocidade a que os motoristas conduzem os ditos cujos. Pressuponho que isto se deva a duas questões, uma delas é ao transito. Na suécia, pelo menos nas cidades onde estive quase não se deslocam carros, a densidade do trafego é realmente baixa, não se ouvem buzinas, consegue respirar-se ar puro e caso se seja um desses poucos condutores, os nossos niveis de stress serão infinitamente mais baixos do que os de um condutor lisboeta. Este factor será muito provavelmente um dos motivos pelo qual os motoristas dos autocarros podem cumprir os limites de velocidade e garantir a segurança dos passageiros. O outro motivo será com toda a certeza o planeamento dos horários que garante tempo suficiente para se chegar ao destino sem ter de se bater os 80 ou 100 km horários como já tenho experenciado por cá.

De forma geral os dias correm calmos, não se vêm pressas porque aparentemente se cumprem horários e se planeiam tarefas. A pressa parece de facto ser um factor contagioso bem como os atrasos que geram novos atrsos e que acabam por estar presentes em muitos elementos da vida dos portugueses fazendo uma efectiva parte da sua cultura.





Um outro aspecto de realçar, é que, para além da baixa densidade populacional que nos deixa espaço para respirar a estética e a manutenção das estruturas e infra estruturas parece ser uma espécie de hobbie e motivo de orgulho para o povo suéco. Tudo, ou quase tudo, na suécia está em optimas condições de conservação... regra geral os edificios parecem acabados de construir, não se vêm estruturas abandonadas ou em estado de decomposição, os jardins estão escrupulosamente tratados e floridos e o lixo no chão é uma verdadeira quimera. A suécia é um país de pormenores... a todo o momento me vinha á cabeça quem teria sido a pessoa que foi paga para tratar de tão minucioso elemento decorativo ou utilitário... Por cá , contrariamente , parece reinar a lógica do desenrasca e do temporário que se torna efectivo e dos horrores urbanos e estéticos que não "nos" parecem ferir os olhos...

obviamente a suécia é um país rico, capaz de cuidar de sí. A suécia é uma metáfora de uma casa nobre , até certo ponto famíliar e sem criados de servir sem estatuto.

Neste país , reparei que o trabalho que cá consideramos "baixo", "sujo", "sem nivel" e "desprestigiante"... em tres palavras "trabalho de imigrante" como a construção civil ou o trabalho de limpeza é desempenhado por nativos suécos que aparentemente não parecem sentir e representatr estas categorias de trabalho manual "indigno" como o sentimos em geral por cá. Esta dignificação é feita pelos próprios. O trabalho que fazem é complecto e investido de um sentido de orgulho na obra acabada. Os trabalhadores que esburacaram o chão para colocarem novos azuleijos num edificio onde me encontrei por algumas horas, não só esburacaram e colocaram os novos azuleijos como aspiraram e limparam atenciosamente todo o espaço do trabalho apos o terem finalizado... provavelmente cá chamar-se-ia uma senhora das limpezas que alguns dias depois passaria por lá para acabar o trabalho... por outro lado, enquanto os trabalhadores realizavam as suas tarefas, utilizaram todo o material do qual cá ainda muitos se riem e consideram no vernáculo "paneleirices" como capacete , protecções auditivas ou coletes de sinalização. Acredito firmemente que elementos como estes possam ajudar a dar alguma qualidade de vida aos próprios trabalhadores bem como a correspondente dignidade , reconhecimento e respeito pela sua obra. por cá, continua a trabalhar-se na insegurança embora sim, se vão vendo melhorias pontuais á medida que vão passando os anos.

Para além da discriminação no trabalho, como acabei de referir face ao "imigrante trabalhador do obral", nota-se também uma muito menor discriminação quer de género, quer de idade nos trabalhos desempenhados na suécia. De facto, já o havia lido e todos sabemos em geral que assim é. Acabei também por ver muitas mulheres em trabalhos considerados tipicamente masculinos como a condução de taxis ou autocarros bem como outros trabalhos de assistencia em aéroportos. O mesmo se passou com a idade, encontrando-se bastantes pessoas na casa dos 50's no antendimento ao publico para o qual cá se seleccionam preferencialmente caras joviais.

Bem, parece que até agora só falei das coisas boas... no próximo post falarei das más :) sim sim, também existem hihi



quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Curiosidades

Esperando que o termo curiosidades não constitua motivo de iletracia da minha parte, como parece ter sido o caso apontado por um anónimo, num comentário ao post curiosidades linguísticas da Sapiens, chamarei de curiosidade ao facto de no Brasil as farmácias se revelarem muito mais amplas, no que concerne às atribuições e competências legalmente instituidas para venda de produtos, do que em Portugal. Ainda em Lisboa, enquanto me comunicava com uma amiga de nacionalidade brasileira, não raras vezes estranhei o facto de me dizer que tinha que se ausentar para ir à farmácia carregar o "celular". Confesso que nessas alturas dava comigo a pensar se aquela pessoa estaria realmente bem. Ao chegar ao Brasil deparei com farmácias que para além de medicamentos, vendem desodorizantes, arroz, feijão, pastilhas, efectuam carregamentos de telemóveis e até gelados lá podem ser encontrados. Achei curioso...mas talvez não seja. Outra curiosidade, mas que talvez não seja, é o facto de paralelamente com os serviços públicos de transporte, existirem particulares que adquirem uma licença para o transporte de passageiros, em carrinhas de mais ou menos 9 lugares que deixam de ser contabilizados quando ficam lotadas, não tendo nada a ver com taxis, pois esses existem com sinais marcadamente distintivos. O curioso é que mesmo nesses veículos, as pessoas podem ir de pé, esmagando os "pesitos" dos que vão sentados. Será caso para perguntar se valerá a pena ir sentado:) Experimentei ontem, mas infelizmente fui sentado lol. O sector de transportes rodoviários é complementado pelos "motoboys", ou seja apanhamos uma moto para nos deslocarmos, sendo o seu preço mais reduzido que o dos taxis. Ok...as motos não se apanham..dá a ideia que vêm no ar e o pessoal está todo à cata para agarrar uma ou então que o pessoal anda tipo galgos a correr desenfreadamente numa pista oval perseguindo motos. lol

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

contrastes



Há uns dias atrás, um brasileiro (bahiano), com um capital intelectual e financeiro bem acima da média nesta região, referiu-se à especificidade da bahia como sendo fruto de uma miscigenação centenária, entre a escória dos portugueses que eram indesejados no seu próprio território, índios preguiçosos e escravos negros. Uma coisa me parece clara, o Brasil é bastante heterogéneo e alguns dos seus estados realçam esses reflexos de diferenciação, evidenciados a um nível macro no contraste que se observa entre norte e sul, entre litoral e interior.


No fundo, nas palavras deste amigo brasileiro estavam presentes as teorias de Gilberto Freyre ou Chico Buarque de Holanda, mas julgo que a realidade é bem mais complexa e que em pleno século XXI traduzem diferentes oportunidades de acesso aos "bens" não materiais que permitem no futuro uma maior igualdade na distribuição da riqueza material.


Parece-me que nos últimos anos o Brasil encetou um trajecto de ascensão económica com a estabilização da inflação e com a criação do real que se estabeleceu com um carácter de moeda não provisória (ao contrário do cruzado), servindo de alguma forma de estímulo ao investimento estrangeiro. As multinacionais estabelecem-se no seu território, no entanto é sabido que elas apenas aqui se irão manter, enquanto a mão de obra for barata e exploratoriamente apetecível, sendo no futuro o mais provável a sua deslocalização.


PS: os dentistas aqui valem mesmo a pena!!

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

O estado do mundo em Cartoon

www.coxandforkum.com























Mais um exemplo de relatividade valorativa





" A violência constitui um grave problema social que só muito recentemente começou a ser
encarado como tal, passando a assumir algum relevo a concepcão criminológica e vitimológica
dos comportamentos violentos e abusivos.

Etimologicamente, a palavra violência deriva do latim vis, que significa força. Neste sentido, a
violência será uma forma particular de força, destinada a exercer uma coacção.
Assim, de acordo com a concepção criminológica (...) podemos definir violência como um comportamento (acto ou propósito agressivo) activo, espontâneo ou voluntário, directo ou indirecto, que surge num contexto de interacção ou relacção entre duas (ou mais) partes envolvidas, em situação de desigualdade de poder, e que se caracteriza pelo uso da força, coacção ou intimidação, de carácter individual ou colectivo, exercida pelo homem sobre o homem, comportando vários graus de gravidade e atingindo-o nas suas necessidades, na sua integridade física, na sua integridade moral, nos seus bens e(ou) nas suas participações simbólicas e culturais, causando prejuízo, dano e sofrimento;

Assenta em níveis diversos como a fé, a liberdade ou a integridade física, constituindo um ataque ao exercício de um direito reconhecido como fundamental ou a uma concepção do desenvolvimento humano possível num dado momento, ou seja, comporta sempre uma violação; esta violência apenas tem como objectivo final a destruição ou a vingança.



Os problemas da violência, designadamente da violeência voluntária, estão, ainda, ligados a representacões sociais que os codificam positiva ou negativamente, segundo o tipo admitido ou
recusado pelas categorias em presença. A violência dos grupos sociais oprimidos, por exemplo,
que se revoltam contra as diversas injustiças de que são objecto, será menos facilmente admitida e legitimada, uma vez que é considerada como desordem. Em contrapartida, a violência exercida pelo poder para reprimir actos de vandalismo será entendida como legítima e necessária, porque repõe a ordem das coisas. Num caso, a violência é uma expressão de desordem, no outro, a expressão de uma ordem social."

In Introdução á Medicina Legal

sábado, 18 de agosto de 2007

assimetrias

Comprei ontem, aqui no Brasil (perto de Salvador) um pacote de leite por 2, 25 reais, enquanto que o frango estava a 3,35 reais o kg. Nesse mesmo dia compravam-se e vendiam-se euros a uma taxa de câmbio de 2, 70 reais. O salário mínimo é de 360 reais, cerce de 150 euros. A questão da pobreza (que é sem dúvida um conceito relativo), não se resolve em Portugal, apenas com políticas de subsídios para encher a boca dos "meninos" com doces e o corpo com roupas de marca, enquanto que o sistema de saúde apresenta lacunas evidentes e lesivas dos direitos de todos (por exemplo). Isto do politicamente correcto tem muito que se lhe diga. Cabe a cada um de nós exigir de si próprio a melhoria necessária, assente numa cultura de aperfeiçoamento de capacitações e valores, sem esquecer nunca a solidariedade, mas uma solidariedade que não seja otária, injusta e populista.

Muro das lamentações

Portugal é um pequeno casal ventoso, onde todos se lamentam e desesperam pelo caldo. Os "pobres" querem mais rendimento mínimo de inserção, enquanto fazem mais filhos. A classe média desespera pelos impostos que paga, descurando o principio económico da utilidade decrescente, ao mesmo tempo que juntamente com os "pobres" passa os fins de semana em centros comerciais, procurando alcançar as marcas de obesidade do tio Sam. Os "ricos" queixam-se da carga tributária que os impede de investir em prol do desenvolviemento nacional. Xiiiiiiii tanta hipocrisia...a culpa é do estado, dizem...mas o estado somos nós, né?? Falta-nos uma cultura de exigência e de aperfeiçoamento, que não se consegue olhando para os países mais desenvolvidos, invejando apenas os seus bens materiais e rendimento per capita. Afinal o que queremos ser?? Podemos perfeitamente ser melhores portugueses, ao invés de péssimas cópias contrafeitas de Alemães, Franceses, Ingleses ou americanos.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Relativismo e relatividade

Cheguei ontem ao Brasil, a Salvador da Bahia mais especificamente. Observo e ouço. Lembro-me do auto-comiseração de alguns portugueses, para quem está tudo mal. Verifico que aqui obter um salário minímo de 370 reais (cerca de 150 euros) não é sequer um direito para todos. Lembro-me de Portugal e dos bairros sociais, dos carros estacionados à porta e das camisas desportivas de marca. Lembro-me que também dizem que está tudo mal. Que tal substituir-se à auto-comiseração, a auto-crítica? Lembro-me dos que falam de insegurança nas ruas...e penso...afinal acreditam mesmo no céu, para crer que aí se vive no inferno. Não conhecem a terra, mas são conhecedores do céu. Conhecem todos os santos, mas não conhecem o Homem e muito menos o vizinho. A tradição é realmente um conforto para alguns. Relativismo, consciência auto-crítica e reflexiva.
Gosto disto.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Direitos de género





Passo por aqui para contar o meu ultimo reparo sobre a sociedade.

Ontem dava um passeio com fim de compras por um shopping , um dos maiores dos arredores da grande Lisboa, quando necessitei de ir ao WC. Entro no correspondente feminino, e , mesmo á entrada , onde se localizam as pranchas para se deitarem os bebés quando é necessário mudarem-se-lhe as fraldas estava um homem, acompanhado de uma senhora da manutenção a mudar a fralda ao bebé com não mais de um mes de vida.


Ocorre-me pura e simplesente, perante semelhante observação, perguntar o que vai na cabeça de quem aprova projectos desta envergadura sem respeitar o principio da igualdade defendido pela constituição.


Ao que parece na nossa sociedade as pessoas do sexo masculino têm de entrar nos lavabos femininos para mudarem as fraldas aos seus filhos. Os homens continuam no imaginário social, na lei e também nas pequenas práticas do dia a dia a ter um menor direito á sua prole do que as mulheres.


Neste caso concreto, os motivos que obrigam ao acto referido podem ser de várias ordens:


-- Será uma questão de economia? colocar uma prancha semelhante nos lavabos masculinos poderia encarecer a obra... talvez. então porque não coloca-la num espaço comum?

-- ou será que algumas "masculinidades" mais mal resolvidas ficariam ofendidas por tamanha invasão do "mundo feminino" no seu?!

-- ou finalmente estaremos a viver no século XXI com a mentalidade e as práticas informais do final do seculo XIX?


Humm.. dá que pensar

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Homo Habilis e Homo Erectus viveram lado-a-lado - TSF

Os dois novos fósseis que vieram inesperadamente redesenhar a árvore da evolução humana foram descobertos em 2000 na margem Leste do lago Turkana, no Quénia, por uma equipa científica internacional conduzida por Fred Spoor, do University College de Londres.

Tratam-se, por um lado, dos fragmentos mais recentes jamais encontrados de um maxilar superior de um Homo Habilis, datados de 1,44 milhões de anos, e, por outro lado, de um crâneo de um Homo Erectus notavelmente bem conservado e paradoxalmente mais antigo, com 1,55 milhões de anos.
Segundo os investigadores, esta descoberta contraria as teorias actuais e prova que as duas espécies de hominídeos não se sucederam na escala da evolução, mas conviveram lado-a-lado durante muito tempo, provavelmente um milhão de anos, na bacia do Turkana.
Actualmente, considera-se que o Homo Habilis, assim denominado em 1964 porque utilizava utensílios de pedra rudimentares, é uma espécie do género Homo cuja aparição é situada geralmente há aproximadamente 2,5 milhões de anos.

Há cerca de 1,8 milhões de anos estes «inventores de utensílios» teriam dado lugar ao seu descendente, o Homo Erectus, descrito como um estádio da evolução da espécie humana desde 1891 a partir de fósseis encontrados na Ásia com cerca de 800.000 anos.

Durante o século XX, foram desenterrados em África fósseis muito mais antigos desta espécie, considerada a que iniciou a conquista progressiva do planeta. No entanto, face aos novos ossos encontrados na localidade de Ileret, Quénia, impõe-se, segundo os investigadores, uma nova redacção do primeiro capítulo da história humana.

Para os autores da descoberta, a prova obtida sobre a coexistência entre o Homo Erectus e Homo Habilis torna doravante «pouco provável» que o primeiro tenha evoluído a partir do segundo.

Os investigadores acreditam que as duas espécies devem ter começado a desenvolver-se a partir de um antepassado comum que poderá ter existido há dois ou três milhões de anos, período pobre em fósseis imputáveis ao tipo Homo.

Os dois hominídeos permaneceram sempre espécies separadas, o que, segundo os investigadores, significa que ocuparam cada um o seu próprio nicho ecológico, o que evitou uma concorrência directa entre si.

Os dentes e os maxilares menos potentes do Homo Erectus correspondem a um regime alimentar que inclui mais carne, gorduras animais e outros alimentos mais tenros, contrariamente ao Homo Habilis, adaptado a uma alimentação mais dura, de origem vegetal (por exemplo, nozes ou tubérculos).

Hoje, os gorilas e os chimpanzés actuais compartilham em certas regiões da África os mesmos habitats sem entrar em conflito: embora ambos apreciem frutos maduros, os gorilas passam mais tempo a esmagar vegetação dura, como os rebentos de bambú, enquanto que os chimpanzés partem à procura de outros alimentos, incluindo a carne de pequenos mamíferos.

Desta forma, concluem os autores do estudo, também os primeiros hominídeos poderiam ser vizinhos sem misturarem as famílias.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Testes de associação implicita, vulgo preconceito

" Como é sabido, as pessoas nem sempre “dizem o que pensam”, e também se suspeita que nem sempre “sabem o que pensam”. Compreender tais divergências é importante para a psicologia científica.

Este sítio da internet apresenta um método que demonstra as divergências conscientes-inconscientes de modo muito mais convincente do que foi possível com outros métodos. Este é um método novo chamado Teste da Associação Implícita, ou TAI.
Além disso, este sítio contém várias informações relacionadas."

Testes disponiveis:


TAI do Peso

Peso (TAI Gordo - Magro). Este TAI requer a capacidade de distinguir rostos de pessoas que são obesas e pessoas que são magras. Revela muitas vezes uma preferência automática por pessoas magras em relação a pessoas gordas.

TAI da Idade

Este teste normalmente indica que as pessoas têm preferência automática por jovens em relação a idosos.

TAI dos Países

Países (TAI Portugal-Estados Unidos). Este TAI requer a capacidade de reconhecer fotografias de líderes nacionais e de outros ícones nacionais. Os resultados revelados por este teste fornece um novo método da avaliação do nacionalismo.

TAI da Raça

Raça (TAI Negro-Branco). Este TAI requer a capacidade de distinguir rostos com origens europeias e africanas. Indica que a maior parte das pessoas têm uma preferência automática pelos brancos em relação aos negros.

TAI do Género
Género (TAI Género-Ciência). Este TAI normalmente revela uma ligação entre letras e mulheres e entre ciências e homens.



https://implicit.harvard.edu/implicit/portugal/

Pensamento do Dia






Por vezes acontece confundir-se o Antropólogo com uma espécie de missionário e auxiliar dos "fracos" e "oprimidos".


Segundo entendo, Cabe ao antropologo entender a natureza e os comportamentos humanos mais do que acreditar pura e simplesmente na sua "intrinseca" bondade.


Ser antropólogo não é, embora nem sempre o pareça , ser um romantico Rousseauniano .

Ser antropologo é mais do que isso e implica que tal como nos distanciamos da nossa cultura para compreender a do outro, que consigamos também distanciar-nos da simples ideologia e da crença e ou preconceito, seja ele positivo ou negativo.


Por vezes e, não me refiro apenas aos antropólogos, mas a todos os cidadãos, fica-nos "mal" os discursos políticamente menos correctos.


Perante isto a escolha é simples: ou aderimos ao politicamente correcto e aceitavel e mantemos a ordem establecida , ou atrevemo-nos a desafia-la e a vasculhar os recantos da realidade.


Na minha humilde opinião , não só esta ultima alternativa é a que nos garante lugar no espectro das ciencias humanas, como só assim atingiremos algum conhecimento válido e contributivo para o bem social.