sexta-feira, 27 de julho de 2018

Em breve estará disponível

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segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Armadilha do poder

Houve tempos em que a revolução surgia no contra-poder, hoje a revolução passeia perante os nossos olhos e nem a notamos. Hoje são os homens do poder que fazem a revolução. Antes a revolução era um choque contra o status quo. Era radical. Hoje acontece um bocadinho todos os dias, de tal forma que as coisas dão a aparência de mudar lentamente ou de nem mudarem. Antes os estudantes e a universidade apontavam novos rumos ao mundo, hoje reforçam a lenta mudança que adormece e que nos aprisiona no capital e no consumismo. Antes a revolução fazia verter o sangue de uma só vez, hoje o sangue escorre constantemente e nós, habituados às novelas e ao sangue, deixámos de lhe prestar qualquer atenção. Tudo por uma marca, nada por uma gota de sangue.  A hemorragia tornou-se banal, vivemos com ela e de tão distraídos que andamos, nem nos apercebemos que sangramos de morte os nossos filhos e que condenámos os nossos pais a uma decadência indigna.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Finalmente a tese de doutoramento/doutorado "Travestis brasileiras em Portugal; percursos, identidades e ambiguidades" foi concluída. Deixo-vos aqui o link da biblioteca universitária onde se encontra catalogada e "arrumada".

Mais um comentário deveras interessante


Embora este blog não se debruce sobre a personagem Cris Negão, a verdade é que personagens deste calibre se tornam mitos, para o bem e para o mal. Falar de mitos envolve por vezes a recriação duma cópia imperfeita do original, porém neste caso, pode também produzir o efeito de chamar à atenção para determinadas relidades.  

Grato pelo comentário do anónimo. 

Conheci Cris Negão pessoalmente, eu desviava dela na rua por ser mulher, ela tinha ódio de mulheres, matava sem motivo. Aliás, ela matava qualquer pessoa por pouca coisa, especialmente quem tentasse pegar algo dela ou levantar a voz para ela.
Na época da Andreia de Maio, havia muito mais organização e respeito entre as travestis, Andreia era uma mãe!
Após a morte dela, Cris Negão "coincidentemente" assumiu o posto dela(vale ressaltar o fato de que Cris Negão era famosa por injetar silicone industrial que resultavam em catástrofes, vide a face do Fofão da Augusta, foi presente da Cris para um ex-travesti que quis falar mais alto do que ela), mas não era a única, havia também outra travesti que cafetinava na mesma rua, mais brutal do que Cris Negão, era a Micaelle Louise!
Micaelle foi encontrada morta a sete facadas, a polícia nunca apresentou uma conclusão do caso, afinal, os casos do centro não costumam ser investigados a fundo, mas todos da região dizem que foram os michês da Cris Negão que mataram a Micaelle Loiuse, a mando de Cris Negão, que estava perdendo afilhadas para a Micaelle, pq as multas da Micaelle eram mais amenas...
Resultado? Mexeu com o território dela, pediu pra morrer! ...e assim foi...

Cris Negão carregava dezenas de homicídios diretos e indiretos, Micaelle foi apenas mais uma na mão dela, assim como quem a devia, quem não pagava as multas, quem tentava gritar com ela, enfim...ela nunca precisou de motivo para matar quem quer que fosse, até policial ela mandava matar e nunca se importou!
Pq...afinal, até a polícia tinha medo de Cris Negão!
Ela era famosa por deixar o rosto das pessoas desfigurado, fosse com silicone industrial, cavos de vidro, fogo ou ferro em brasa, para que a pessoa não se esquecesse dela e nem do motivo de ter ficado com o rosto daquela forma, ela dizia que era para fazer lembrar toda vez que a pessoa se olhasse no espelho.

...e assim se encerra a história de uma das piores psicopatas que as ruas de SP já conheceram...

PS: ela nunca se importou com o bem estar das travestis, nem com ninguém que fosse, Cris Negão era psicopata e não possuía empatia de nenhum tipo.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Novas varáveis, novos percursos

Depressão económica no séc.XXI, e agora alteram-se os fluxos migratórios ao nível da prostituição internacional? Há sinais de que esse processo está em andamento e a depressão não chegou ao auge. A tendência será a migração para outros países da Europa, orientada para a busca de melhores condições de mercado. Por outro lado, a prostituição em residência poderá dar lugar a um maior número de prostitutas na rua.

sábado, 2 de abril de 2011

A encruzilhada

"A antropologia não resolve problema nenhum, apenas levanta problemas!" E isso é pouco?? Senão levantarmos problemas e questões...como poderemos sequer tentar resolvê-los ou responder-lhes?

Creio que ouvi esta frase magnífica a Benjamim Pereira num seminário.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Família

Olá, a ausência faz-se sentir numa omnipresença sufocante de um trabalho sem fim. Sim, a matéria em apreço continua a ser a mesma, migrações, globalização, género, desvio, travestis e prostituição. Quem trabalha sobre migrações, sabe que um dos catalizadores do seu crescimento é a procura de melhores condições de vida, o desejo de ter uma casa própria no país de origem, de melhorar as condições de vida dos familiares distantes, originando muitas das vezes novas formas de organização familiar. No início deste empreendimento não material, a ideia preconceituosa de que o antropólogo parte para proceder à sua desconstrução, era a de que as migrações transnacionais da prostituição travesti brasileira para a europa se consubstanciavam em moldes diversos de todas as outras. Tal não é verdade, a começar pelo tópico com que iniciei este post. Na verdade os brasileiros sabem que a ajuda monetária à família é um dos objectivos da sua emigração, e inseridos nesse modelo de cidadania e sociedade, tendo como base a célula vital de toda a organização humana, ou seja a família, as travestis tal como a maioria dos migrantes enviam remessas periodicamente para o Brasil, com o intuito de ajudar a família. Um item interessante a ser analisado a partir desta constatação serão as novas formas de organização familiar, sua estruturação e/ou reatamento de relações familiares outrora moribundas que emergem destas novas relações de dependência transnacionais.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

De muitas e Variadas Partes ao Portugal do Século XXI

Contextos migratórios vários onde o género, sexo e nacionalidade se intersectam numa realidade global multi-cultural onde a diferença se desconstrói e constrói face à sua diferença, antes longínqua e continental e agora próxima e regional.






Organização: Susana Trovão

Sinopse:

As relações familiares referenciadas a populações imigrantes têm vindo a constituir um foco crucial dos debates sobre a diversidade cultural e os seus limites, um objecto do discurso mediático e de intervenção política. Apoiado num estudo comparativo, este livro continua a pesquisar a influência das experiências migratórias na reconfiguração de valores e práticas de género, intergeracionais e familiares dos imigrantes.

Índice:

De muitas e variadas partes ao Portugal do Século XXI. Dinâmicas de género, intergeracionais e familiares em contexto migratório – Introdução
Susana Trovão

“Handmaids of the Lord”: empregadas domésticas, esposas e mães à distância – rostos femininos da imigração Filipina em Portugal
Inês David

Usos da religião na participação cívica: recursos identitários de mulheres de origem são tomense no contexto pós colonial português
Sónia Ramalho com a colaboração de Susana Trovão

Da Guiné Bissau a Portugal: trajectórias socioculturais de mulheres muçulmanas de duas gerações
Maria Abranches

Do Brasil Palhaço ao Portugal Europa: a importância do ‘onde se vem’ na construção do ‘para onde se vai’ nas estratégias de imigrantes femininas brasileiras em Portugal
Elsa Rodrigues

De “mana em mana”: transnacionalismo e agência entre travestis brasileiras
Francisco Luís e Susana Trovão

Comparando relações de género, intergeracionais e familiares em populações imigrantes e minorias étnicas: debates “privados”, denegação pública e outras mediações
Susana Trovão e José Gabriel Pereira Bastos


SOBRE A ORGANIZADORA:
Susana Trovão é professora associada da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, investigadora coordenadora da Linha Migrações, Etnicidade e Cidadania do CRIA (Centro em Rede de Investigação em Antropologia) e co fundadora do CEMME (Centro de Estudos de Migrações e Minorias Étnicas da FCSH).

domingo, 8 de agosto de 2010

Eco logia ou ecologia?

A troposfera suporta já cerca do dobro de ozono de há cem anos. mas parece ser capaz de aguentar cerca de dez vezes mais ozono do que agora, pelo que também este problema mal começou (Weiner 1991:209).

Uma só molécula de metano aumenta o efeito de estufa da atmosfera da terra tanto quanto vinte moléculas de dióxido de carbono (Weiner 1991:72).

Água, dióxido de carbono e ozono: Estes três gases têm algo que as moléculas de nitrogénio e oxigénio não têm. Possuem um terceiro átomo. O nitrogénio é N-N e o oxigénio é O-O: pares de átomos. Os três gases de estufa são triplos: a água é H-H-O e o ozono é O-O-O, uma forma aberrante de oxigénio e altamente instável, um ménage `trois; o dióxido de carbono é, claro, é O-C-O...(idem:46).

Weiner, Jonathan 1991 Os Próximos cem anos, Gradiva:Lisboa.

Apesar de algo recuado no tempo, parece-me uma leitura imprescindível, quanto mais não seja para se concluir que há cerca de vinte anos já os efeitos nefastos da actividade humana eram conhecidos. Agora a Rússia arde, o trigo sobe, o Paquistão nada. Amanhã serão outros. José Lino quando afirmou que o Sul de Portugal era um deserto estaria já ele próprio ciente de que o efeito de estufa, o buraco no ozono, o degelo, a subida das temperaturas...iriam transformar todo o Portugal num deserto?


Outro assunto: De muitas e variadas partes ao Portugal do século XXI, autora Susana Trovão. Um retrato de panoramas migratórios no Portugal actual, desde S.Tomé, Brasil, Filipinas, Guiné Bissau, etc..De mana em mana: Transnacionalismos e agência entre travestis Brasileiras, é da minha autoria e da autora do livro, Susana Trovão.http://www.edi-colibri.pt/Detalhes.aspx?ItemID=1370

quinta-feira, 8 de abril de 2010

mediascapes (Appadurai)

Hoje dou-vos conta de um estudo que achei muito interessante, para além de relevante e super actual, "Fluxos Matrimoniais entre brasileiras e portugueses" patrocinado pelo Alto Comissariado para a imigração (ACIDI), da autoria de Paulo Raposo e Paula Togni (2009). Para além da pertinência da temática abordada, para mim foi duplamente interessante pelo facto de eu próprio me rever como actor social interveniente no mercado matrimonial transnacional através de um casamento misto com uma brasileira. Isto ainda fica mais engraçado quando verifico que desde Maio de 2009 já passaram por aqui 8558 brasileiros, enquanto que portugueses apenas 3338. De resto fica a sugestão de uma leitura interessada e interessante.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

antropo-contexto

Isto tem andado parado, nem sempre estamos na disposição de dispôr dos nossos pensamentos, devaneios, ou até de dados mais objectivos colhidos e observados. Não obstante, tal não significa que se tenha parado, na verdade parece que dentro de sensivelmente três meses, o meu primeiro artigo será publicado, num livro em que doutorandos resumem num texto de reduzidas dimensões as suas mais vastas investigações de doutoramento. Um pouco ao acaso, o meu percurso académico encarregou-se de me direccionar para as questões de género, enquadradas num mundo cada vez mais pequeno e apertado, em que a estratégia geo-política mudou por completo e nos casos em que não mudou, irá mudar por força das circunstâncias. Já nada se produz para durar, neste mundo em que o distante se tornou próximo, parece impor-se uma consciência de que a mudança é a essencia do social, ainda que tal, por algum motivo e nalguns casos não se consiga vislumbrar. O evoluir dos acontecimentos políticos, económicos e sociais demonstram que quase premomitoriamente, o "futebol português" tinha razão: o que hoje é verdade, amanhã pode não ser ou seja: nunca digas nunca, na medida em que os alicerces de todas as culturas se mostram frágeis, tão frágeis como o tempo finito que lhes deu origem. O contexto nunca fez tanto sentido, com a ressalva de que ele é cada vez mais circunstancial.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

O Animal Moral




(you shouldnt) "expect the moral codes to serve the interests of society at large.
They emerge from an informal political process that presumably gives extra weight to powerful people.
They are quite unlekely to represente everyone's interests equally.
And there's definitely no reason to assme that existing moral codes
reflect some higher truth apprehended via divine inspiration or detached philosophical inquiry. "


(Wright, 1994)

...
E no entanto a moral está em todo o lugar.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

“gender is thought of as a process of structuring subjectivities rather than as a structure of fixed relations (Morris 1995:568).”

Morris, R. C. All Made Up: Performance Theory and the New Anthropology of Sex and Gender in Annual Reviews, 1995, Department of Anthropology, Columbia University: 567-592.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Reflectindo no mundo interligado, mas que mantém o confronto a várias escalas entre o nós e o eles, ou até, com a nossa própria alteridade.

Adriana Piscitelli é uma antropóloga brasileira que trabalha em questões de género e sexualidade, com uma imensa panóplia de temáticas associadas às duas primeiras.

A migração com vistas à inserção na indústria do sexo, envolve muitas vezes redes semelhantes às usadas por migrantes brasileiros que trabalham em outros sectores (…) nesses casos, o adiantamento de dinheiro a ser devolvido com juros análogos aos pagos num clube, a oferta de uma vaga em um apartamento (pelo qual se paga um valor superior ao que ela de fato teria) e/ou o apoio para se estabelecer em “pontos”, na rua, tudo isso é lido como “ajuda”(Piscitelli 2007:21.

(…) outras, contudo, estavam inseridas em redes femininas de vizinhas, amigas, conhecidas e parentes que já moravam na Espanha, o que também é recorrente para migrantes de outras nacionalidades, assim como para pessoas transexuais (Piscitelli 2007:21).
Piscitelli, A. “Corporalidades em Confronto; Brasileiras na indústria do sexo em Espanha” in Revista Brasileira de Ciências sociais, Vol. 2, nº64, Junho 2007.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

As Migrações num Mundo Interligado

As Migrações num Mundo Interligado, relatório acerca do tema implícito e explícito, interessante e a partir do qual me lembrei de mencionar factos do quotidiano de um mundo globalizado emergentes da minha pesquisa:
A própria Larissa confidenciou que as agências de viagens no Brasil a aconselharam - tal como fazem a outros migrantes - sobre os melhores percursos para fugir ao controlo fronteiriço europeu e lhes fornecem contactos. Após ter vivido durante três anos em Itália, deambulando de cidade em cidade, decidiu “mudar-se” recentemente para Portugal. A “entrada de Berlusconi no poder em Itália, dificultou muito mais a vida a quem trabalha na rua”, buscando desta forma a legalização, e utilizando a possibilidade que lhe é conferida em virtude do laço familiar com o pai português, actualmente a residir em Braga.